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quarta-feira, maio 20, 2026
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Trailer de “Dark Horse”, filme sobre Bolsonaro, vaza antes do lançamento oficial; assista

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Produção sobre a trajetória política do ex-presidente circulou nas redes sociais cinco dias antes da data prevista e amplia polêmicas envolvendo financiamento e bastidores do projeto

O trailer do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, vazou nas redes sociais nesta terça-feira (19), cinco dias antes da divulgação oficial prevista para o próximo domingo (24). O vídeo havia sido exibido pela manhã durante um encontro fechado das bancadas do PL na Câmara dos Deputados e no Senado.

Após a circulação antecipada das imagens, o senador Flávio Bolsonaro decidiu publicar o material em seus próprios perfis nas redes sociais. O parlamentar classificou a produção como “o filme mais aguardado do ano” e afirmou que a obra retrata “a história de um verdadeiro herói”.

O deputado federal Mario Frias, que atua como diretor-executivo do projeto, também comentou o episódio. “Repudio o vazamento de material ainda não finalizado. Mas já que vazou vai aí pro povo dizer o que acha”, escreveu.

Confira o trailer

O longa é produzido pela empresa GoUp Entertainment e conta com acompanhamento próximo de aliados e familiares do ex-presidente. O roteiro, escrito em inglês pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e por seu filho Mark Nowrasteh, também havia sido divulgado antecipadamente nos últimos dias.

Na obra, Bolsonaro é interpretado pelo ator Jim Caviezel, conhecido mundialmente por protagonizar o filme The Passion of the Christ.

Segundo trechos do roteiro divulgados anteriormente, Bolsonaro é apresentado como “um deputado federal obscuro” e um “dark horse candidate” — expressão utilizada em países de língua inglesa para definir candidatos considerados improváveis ou fora do favoritismo eleitoral.

O texto ainda descreve o ex-presidente como um político disposto a “quebrar o sistema” e o retrata como um personagem carismático e inflamado durante a ascensão eleitoral de 2018.

Estreia prevista para setembro

O lançamento de Dark Horse está previsto para o dia 11 de setembro deste ano, data que marca oito anos da facada sofrida por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.

A estreia também ocorre em meio aos desdobramentos políticos e judiciais envolvendo o ex-presidente e aliados investigados no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Produção milionária e investigação

Mesmo antes da estreia, o filme já acumula controvérsias políticas e financeiras.

A produtora responsável pelo projeto tornou-se alvo de questionamentos após surgirem suspeitas de que recursos ligados a emendas parlamentares de aliados bolsonaristas teriam sido utilizados para viabilizar parte da produção cinematográfica.

Na última semana, o portal Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em conversas com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo a reportagem, o senador buscava apoio financeiro para manter o projeto em andamento diante das dificuldades de captação.

Conforme a publicação, cerca de US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — teriam sido destinados à produção entre fevereiro e maio de 2025. O orçamento total negociado para o longa chegaria a US$ 24 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões.

Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado investidores privados para financiar o filme, mas negou qualquer irregularidade. Segundo o senador, trata-se de “patrocínio privado para um filme privado” sobre a trajetória do pai.

Dois dias depois, novas mensagens e documentos divulgados pelo Intercept indicaram que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, teria participado da gestão orçamentária do projeto. Eduardo também negou ter recebido recursos do banqueiro.

Mesmo antes da estreia oficial, Dark Horse já se consolidou como uma das produções audiovisuais mais controversas envolvendo a trajetória política de Bolsonaro, misturando cinema, estratégia de comunicação, polarização ideológica e disputas judiciais em torno do ex-presidente.