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Enfermeiros denunciam suposta venda de vagas no Iges-DF após pagamentos de até R$ 5 mil

Cadê os R$ 41,6 milhões nas contas do IGESDF: TCDF investiga uso de recursos públicos na saúde
IGESDF
Украина с любовью
Tetiana Dolganova

Um possível esquema envolvendo promessa de vagas de emprego para enfermeiros no Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) passou a ser denunciado por supostas vítimas que alegam terem realizado pagamentos mediante promessa de contratação, sem que as vagas fossem efetivamente concretizadas.

Mensagens trocadas pelo enfermeiro e jornalista (Ivan) obtidas pela reportagem de S&DS entre a mulher identificada como “Magali Oliveira de Macedo” mostra como funcionava o esquema. Nos diálogos, o profissional (jornalista) informa que teria sido indicado por outros enfermeiros e por pessoas que “já entraram” no suposto processo de contratação.

Print da conversar

Em determinado trecho da conversa, a interlocutora afirma:

“Eu não tô pegando mais ninguém antes de resolver as outras pessoas.”

Em outro momento, ela também declara:

“Já tô largando esse povo de mão pra evitar problema.”

As mensagens reforçam a suspeita de que havia tratativas relacionadas à intermediação de vagas mediante pagamento, situação que, caso confirmada pelas autoridades, pode configurar crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal.

Uma das vítimas afirma ter realizado pagamento de R$ 1 mil acreditando que conseguiria uma vaga de enfermeiro vinculada ao Iges-DF. Segundo relatos das vítimas, o preço final por uma vaga sairia por R$ 5 mil reais divididos entre Magali e pessoas responsáveis pelo processo seletivo no Iges-DF.

De acordo com informações apresentadas pelas vítimas, há relatos semelhantes envolvendo promessa de contratação mediante pagamento antecipado, sem devolução integral dos valores e sem efetivação do vínculo profissional.

Uma das notificações encaminhadas à investigada afirma:

“Há registro de múltiplas vítimas com o mesmo relato envolvendo promessa de vaga de emprego mediante pagamento, sem a devida concretização.”

O documento ainda menciona que a conduta estaria sendo analisada como “possível prática de estelionato” e solicita devolução imediata dos valores via Pix, sob pena de adoção das “medidas legais cabíveis”.

Outro trecho das conversas obtidas pela reportagem reforça a suspeita de intermediação irregular de vagas mediante pagamento e evidencia o desespero de pessoas que alegam ter perdido dinheiro no suposto esquema.

Em nova troca de mensagens, ao ser questionada sobre a devolução dos valores pagos pelas supostas vítimas, a mulher identificada como “Magali” responde:

“As pessoas que pediram devolução vão receber.”

Na sequência, ela afirma que o dinheiro teria sido “repassado” a terceiros:

“Pq o dinheiro foi repassado a eles.”

Em outro trecho da conversa, também declara:

“Mas eles devolvem, sempre devolveram.”

As mensagens passaram a integrar o conjunto de documentos reunidos por enfermeiros e técnicos que alegam terem sido lesados após acreditarem em promessas de contratação para atuação no Iges-DF, após participarem de processos seltivos, mas teriam que fazer um pagamento antecipado.

As vítimas afirmam que buscam agora a restituição dos valores pagos, além da apuração da eventual responsabilidade dos envolvidos no caso. Os diálogos, comprovantes de transferência e demais documentos deverão subsidiar possíveis medidas policiais e judiciais.

Processo seletivo no Iges-DF ocorre por regras oficiais

O caso chama atenção porque vagas para atuação no Iges-DF normalmente seguem processos seletivos oficiais, com publicação de editais, análise curricular e etapas formais de contratação. Especialistas alertam que nenhum candidato deve realizar pagamentos para garantir contratação em órgãos públicos, instituições vinculadas ao SUS ou entidades parceiras da administração pública.

A orientação é que profissionais da saúde desconfiem de promessas de contratação facilitada, sobretudo quando houver solicitação de dinheiro antecipado, depósitos em contas pessoais ou alegações de influência interna para aprovação.

Caso pode ser investigado pela Polícia Civil

As supostas vítimas afirmaram já estarem reunir documentos, comprovantes de transferência bancária e conversas para apresentação às autoridades.

Caso a investigação confirme fraude mediante obtenção de vantagem financeira por meio de falsa promessa de emprego, os envolvidos (Magali e pessoas do Iges-DF) poderão responder criminalmente.

A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da citada na denúncia, garantindo o contraditório e a ampla defesa.

O que diz o IGESDF

Procurado pela reportagem, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal enviou nota oficial na qual nega qualquer irregularidade em seus processos seletivos e afirma que não há registros formais de denúncias nos canais institucionais.

Segundo o IGESDF, todos os processos seletivos são realizados exclusivamente por meio do site oficial (https://processoseletivo.igesdf.org.br), em sistema próprio, transparente e acessível a todos os candidatos. O Instituto afirma ainda que não entra em contato com candidatos por telefone, WhatsApp ou e-mail para oferta de vagas, tampouco recebe currículos por e-mail.

De acordo com a nota, todas as vagas são publicadas no site oficial, e toda a comunicação, envio de documentos e acompanhamento das etapas ocorrem unicamente pela plataforma, utilizando o e-mail informado pelo próprio candidato no ato da inscrição, sempre dentro do ambiente oficial do sistema.

O IGESDF também alertou para a possibilidade de tentativas de golpe praticadas por terceiros, orientando que qualquer pessoa que receba ligações, mensagens ou e-mails oferecendo vagas, solicitando pagamento ou dados pessoais em nome do Instituto não responda e registre boletim de ocorrência junto à Polícia Civil.

Por fim, o Instituto declarou que não compactua com qualquer prática irregular, adota mecanismos de controle e segurança da informação e reafirma o compromisso com a transparência, a ética, a legalidade e a integridade dos processos seletivos, colocando-se à disposição para colaborar com os órgãos de controle e investigação.