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sexta-feira, maio 22, 2026
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Lula transforma “Lei Vorcaro” em arma política contra bolsonarismo e diz que “ainda vai aparecer muito mais coisa”

Lula voltou a explorar politicamente o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, elevando o tom contra o bolsonarismo e sugerindo novos desdobramentos da crise.

Presidente ironiza financiamento do filme “Dark Horse”, associa adversários à contradição sobre cultura e amplia ofensiva política após vazamentos envolvendo Daniel Vorcaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra o bolsonarismo nesta quinta-feira (22) e transformou o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro em mais um capítulo da disputa narrativa nacional entre governo e oposição.

Durante cerimônia de anúncio de investimentos no setor cultural, no Espírito Santo, Lula ironizou os vazamentos de mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro e aliados próximos sobre pedidos de financiamento para o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em uma das falas mais incisivas desde o surgimento do caso, o petista fez referência direta aos ataques históricos da direita à Lei Rouanet e criou o que chamou ironicamente de “Lei Vorcaro”.

“Como a verdade não falha, nós nunca fomos atrás da lei Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro”, declarou Lula.

A declaração amplia o constrangimento político no entorno bolsonarista porque o grupo político de Bolsonaro construiu, nos últimos anos, um discurso permanente contra incentivos culturais via Lei Rouanet, frequentemente associados pela direita a privilégios ideológicos e favorecimentos políticos.

Agora, adversários passaram a explorar justamente a aparente contradição entre o discurso público anti-Rouanet e a busca de financiamento milionário privado para uma superprodução cinematográfica voltada à imagem política de Bolsonaro.

Lula também indicou que considera o episódio apenas o início de um desgaste mais profundo da oposição.

“Ainda vai aparecer muito mais coisa, porque nós estamos convencidos que o período da mentira, o período das ofensas, o período da violência, o período da incivilidade precisa acabar no nosso país”, afirmou.

A frase foi interpretada nos bastidores políticos como um recado de que o Palácio do Planalto pretende manter o caso em evidência pública enquanto novos desdobramentos surgem.

Esta é a terceira vez, em pouco mais de uma semana, que Lula utiliza o episódio como instrumento de desgaste político contra o bolsonarismo. No dia 14, após o primeiro vazamento, afirmou que o caso era “de polícia”. No dia seguinte, durante agenda em São Paulo, voltou a ironizar o episódio ao dizer que determinado hospital “não tinha dinheiro do Vorcaro”.

Vazamentos ampliaram crise política

O caso veio à tona no último dia 13, após reportagens do Intercept Brasil divulgarem mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em conversas com Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.

Segundo as reportagens, o senador buscava apoio financeiro para manter a produção cinematográfica em andamento diante de dificuldades orçamentárias. A apuração aponta que ao menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões — teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. O valor total negociado poderia chegar a US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões.

Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado Vorcaro em busca de recursos, mas negou qualquer irregularidade. O parlamentar afirmou que se tratava de “patrocínio privado para um filme privado” sobre a trajetória do pai. Também negou favorecimentos, intermediações governamentais ou recebimento pessoal de recursos.

Dias depois, novas mensagens e documentos divulgados pelo Intercept indicaram que Eduardo Bolsonaro teria assumido papel relevante na gestão financeira da produção. Eduardo também negou ter recebido recursos do banqueiro.

Nos bastidores de Brasília, aliados do governo avaliam que o episódio abriu uma frente politicamente sensível para o bolsonarismo por atingir diretamente uma das bandeiras mais exploradas pela direita nos últimos anos: o combate aos privilégios no financiamento cultural.