A investigação que resultou na Operação Miragem aponta que o Banco Digimais, instituição ligada ao grupo do bispo Edir Macedo, teria reproduzido mecanismos semelhantes aos identificados no Banco Master, liquidado extrajudicialmente em 2025. Em documento encaminhado à Justiça Federal, a Polícia Federal afirma que o modelo de negócios adotado pelo Master tornou-se referência para outras instituições financeiras de médio porte que buscavam acelerar a captação de recursos mesmo diante de riscos crescentes.
“Neste cenário de contágio no mercado, o modelo operativo adotado pelo Banco Master funcionou como paradigma para outras instituições financeiras de médio porte”, registra a PF na representação que embasou a operação.
Segundo os investigadores, o Digimais teria replicado uma combinação de captação agressiva por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), exposição elevada a ativos de baixa liquidez, reavaliações patrimoniais consideradas controversas e dependência da credibilidade proporcionada pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A Polícia Federal sustenta que as conexões entre as duas instituições não ficaram restritas às semelhanças operacionais. A investigação destaca que, em janeiro de 2025, o Digimais chegou a negociar sua venda para Maurício Antonio Quadrado, ex-sócio e ex-executivo do Banco Master, por meio da holding Bluebank. O negócio acabou vetado pelo Banco Central, que identificou riscos relevantes associados ao histórico e aos vínculos do proponente.
Além disso, o Digimais mantinha cerca de R$ 600 milhões em exposição a carteiras de crédito originadas pelo Banco Master. Após a liquidação da instituição, esses ativos passaram a ser alvo de questionamentos sobre qualidade, lastro econômico e regularidade documental, ampliando as preocupações dos órgãos de fiscalização.
Para os investigadores, a soma desses fatores — exposição bilionária a ativos ligados ao Master, tentativa de aquisição por um ex-dirigente do banco liquidado e operações envolvendo créditos sob suspeita — reforça a hipótese de que o Digimais reproduziu estruturas semelhantes às identificadas em um dos casos mais relevantes do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos.





