
Dor abdominal frequente, diarreia persistente, presença de sangue nas fezes, perda de peso sem explicação e fadiga intensa podem ser sinais de doenças inflamatórias intestinais (DIIs), enfermidades crônicas que afetam mais de 100 mil brasileiros e cuja incidência tem aumentado nos últimos anos.
Muitas pessoas convivem durante anos com os sintomas sem receber o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o risco de complicações. Especialistas alertam que o diagnóstico precoce é fundamental para controlar a progressão da doença e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
O alerta ganha ainda mais relevância durante o Maio Roxo, campanha de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais, que incluem principalmente a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.
Em Goiás, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) é referência pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento a pacientes diagnosticados com essas enfermidades. A unidade oferece assistência multiprofissional especializada, desde o diagnóstico até o acompanhamento contínuo dos casos.
Diagnóstico precoce evita complicações
A médica coloproctologista Albanice Rodrigues de Lima, que acompanha pacientes com doenças inflamatórias intestinais há mais de 20 anos, destaca que identificar a doença nas fases iniciais faz diferença significativa na evolução do tratamento.
“Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas importantes sem imaginar que podem ter uma Doença Inflamatória Intestinal”, explica.
Segundo a especialista, o acompanhamento adequado permite controlar a inflamação, reduzir crises e evitar complicações mais graves.
“Com acompanhamento especializado e tratamento adequado, é possível viver com mais conforto, autonomia e segurança”, reforça.
Sintomas da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa
Os principais sinais de alerta incluem:
- dor abdominal frequente;
- diarreia persistente;
- sangue nas fezes;
- perda de peso sem causa aparente;
- anemia;
- fadiga intensa;
- alterações importantes no hábito intestinal.
Para confirmar o diagnóstico, os médicos podem solicitar avaliação clínica, exames laboratoriais, endoscopia e exames de imagem.
Anos de sofrimento antes do diagnóstico
O marceneiro Mauro Parreira, de 52 anos, conhece de perto os desafios impostos pela Doença de Crohn. Diagnosticado há mais de duas décadas, ele relata que conviveu por muitos anos com os sintomas sem saber a causa do problema.
“Sou diagnosticado com Doença de Crohn há mais de 20 anos, mas já sentia os sintomas muito antes disso. Lembro que, com 15 anos, já sofria com as dores e sangramento”, relata.
Segundo ele, a falta de informação foi um dos principais obstáculos para o diagnóstico correto.
“Só muito tempo depois fui descobrir o que era. Esse diagnóstico tardio me atrapalhou muito. Vejo que a falta de informação prejudica muito no tratamento correto”, afirma.
HGG é referência no tratamento das doenças inflamatórias intestinais
No HGG, pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado recebem acompanhamento especializado realizado por médicos coloproctologistas, gastroenterologistas e outros profissionais da saúde.
Além do tratamento clínico, a assistência inclui acolhimento e suporte emocional, já que as doenças inflamatórias intestinais podem impactar diretamente a rotina, a vida profissional, as relações sociais e a saúde mental dos pacientes.
Consideradas doenças invisíveis, a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa nem sempre apresentam sinais externos perceptíveis, mas exigem acompanhamento contínuo e adaptações permanentes no dia a dia.
Entenda a diferença entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa
Embora compartilhem sintomas semelhantes, as duas doenças possuem características distintas.
A Doença de Crohn pode atingir qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, comprometendo todas as camadas da parede intestinal.
Já a Retocolite Ulcerativa afeta principalmente o cólon e o reto, provocando inflamação na camada superficial da mucosa intestinal.
Casos crescem no Brasil
De acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, mais de 100 mil brasileiros convivem atualmente com doenças inflamatórias intestinais.
Dados do Ministério da Saúde também apontam crescimento da demanda por atendimento relacionado a essas enfermidades. Nos últimos dez anos, as internações associadas às DIIs aumentaram 61%, cenário que especialistas relacionam a fatores como mudanças nos hábitos alimentares, estilo de vida e aumento dos níveis de estresse da população.
Diante desse cenário, médicos reforçam que sintomas persistentes não devem ser ignorados. Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, maiores são as chances de controle da doença e de preservação da qualidade de vida dos pacientes.



