Nos bastidores de Brasília, há quem diga que certas palavras entraram para a lista das mais perigosas da política nacional. Depois de “mensalão”, “rachadinha” e “joias”, agora é a vez de “apartamento” provocar calafrios em gabinetes, restaurantes e reuniões reservadas. O simples anúncio de um empreendimento de alto padrão já é suficiente para fazer muito figurão mudar de assunto.
As investigações recentes trouxeram à tona histórias que envolvem imóveis milionários supostamente negociados como moeda de influência política. De um lado, seis apartamentos de luxo avaliados em R$ 146,5 milhões que teriam sido destinados ao então presidente do BRB – Paulo Henrique Costa. De outro, um imóvel em um dos empreendimentos mais sofisticados de Salvador que aparece no radar da Polícia Federal em apuração envolvendo o senador da República – Jaques Wagner.
A ironia é que, em Brasília, muitos políticos sempre sonharam em deixar sua marca na história. Alguns acabam deixando apenas o endereço. E, pelo visto, há apartamentos que oferecem uma vista privilegiada não apenas para o horizonte, mas também para inquéritos, operações policiais e manchetes nada desejáveis. Hoje, no Distrito Federal, quando alguém convida um político para conhecer um imóvel de luxo, a resposta mais prudente talvez seja: “Prefiro ficar no aluguel”.




