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sexta-feira, maio 29, 2026
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Cresce o uso político oportunista da pauta do autismo por candidatos sem vínculo com a causa

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Transtorno do espectro do autismo

O debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha cada vez mais relevância no Brasil, especialmente diante do aumento expressivo de diagnósticos e da presença crescente de estudantes autistas no sistema educacional. Segundo dados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em maio de 2025, o país já contabiliza cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA, o equivalente a 1,2% da população brasileira. No campo educacional, o avanço também é evidente: o Ministério da Educação aponta que o número de estudantes autistas matriculados na educação básica saltou de 636 mil para 918 mil em apenas um ano, um crescimento de 44,4%.

Esse cenário, embora represente um avanço importante na visibilidade, no diagnóstico e na inclusão, também abre espaço para distorções preocupantes. Entre elas, o uso político oportunista da pauta do autismo por candidatos que não possuem qualquer vínculo real com as famílias, com a militância ou com as políticas públicas voltadas ao tema. Trata-se de uma apropriação superficial de uma causa complexa, que exige conhecimento técnico, escuta ativa e compromisso contínuo.

O risco desse tipo de prática é duplo. De um lado, banaliza-se a luta histórica de mães, pais, cuidadores e pessoas autistas que enfrentam, diariamente, barreiras no acesso à saúde, educação inclusiva, assistência social e direitos básicos. De outro, transforma-se uma pauta de alta sensibilidade social em mero instrumento de marketing eleitoral, esvaziando seu conteúdo e fragilizando o debate público.

É preciso ter clareza de que a pauta do TEA não pode ser tratada como bandeira ocasional de campanha. Ela exige políticas públicas estruturadas, financiamento adequado, formação de profissionais e, sobretudo, participação efetiva das famílias e das próprias pessoas autistas na construção das decisões.

Num contexto em que os números revelam uma população crescente e cada vez mais presente nas escolas e na sociedade, a responsabilidade política deveria caminhar no sentido da seriedade e do compromisso permanente — e não da apropriação momentânea de uma causa que envolve vidas reais, desafios cotidianos e direitos que ainda precisam ser plenamente garantidos.