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sábado, junho 27, 2026
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Dia Internacional da Enfermagem: A Equipe que Salvou Mãe de 3 Paradas

Luana Vitória Ribeiro, 29 anos.
Ivan Rocha

O nascimento de um filho carrega a promessa do recomeço, mas para Luana Vitória Ribeiro, de 29 anos, o dia 21 de junho reservou um teste limítrofe entre a vida e a morte. Logo após o choro do pequeno Asafe ecoar pela sala de parto do Hospital Regional de Santa Maria [HRSM], o cenário de celebração se transformou, em frações de segundo, em uma das emergências mais dramáticas já registradas na unidade. Luana sofreu três paradas cardiorrespiratórias consecutivas acompanhadas de uma hemorragia severa. Se hoje ela pode acalentar o filho nos braços, deve-se a uma barreira humana imbatível: a prontidão, a técnica e a sensibilidade da equipe de Enfermagem.

A gestação de Luana já havia dado sinais de alerta desde o início, com episódios de sangramento e um diagnóstico posterior de diabetes gestacional que a enquadrou no pré-natal de alto risco. Preparada para o momento do parto, ela se internou com 37 semanas. “Lembro da anestesia, da presença do meu marido e do choro do meu filho… depois, só escuro”, relata. O que ninguém esperava era que múltiplas aderências abdominais ocultas desencadeassem um choque hemodinâmico devastador durante a cesariana.

O Fator Enfermagem: Segundos que Valem Vidas

Quando os monitores começaram a apitar, indicando a primeira parada cardíaca, foi a equipe de enfermagem do Centro Cirúrgico Obstétrico (CCO) que se posicionou como a espinha dorsal do atendimento emergencial. Enquanto os médicos concentravam-se na complexa intervenção cirúrgica — que culminou na decisão extrema de realizar uma histerectomia para conter o sangramento —, coube à enfermagem gerenciar o caos com precisão matemática.

Os profissionais de enfermagem atuaram de forma brilhante em cada etapa crítica: identificaram imediatamente os primeiros sinais de instabilidade hemodinâmica, prepararam e administraram drogas de ressuscitação em tempo recorde, revezaram-se com vigor técnico nas manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) e garantiram que todos os insumos e equipamentos estivessem disponíveis sem um segundo de hesitação. Sob uma pressão extrema, a enfermagem foi o elo que manteve a calma operacional necessária para salvar a paciente.

A equipe de enfermagem foi peça-chave. Foto: Divulgação/IgesDF

“Não é apenas aplicar protocolos frios. É saber agir sob uma pressão desumana, com precisão cirúrgica nos movimentos, e estar emocionalmente estruturado para tomar decisões em segundos que definem se uma mãe vai ou não voltar para casa para criar o seu filho.” — Vanúcia Sancho, Chefe do Serviço de Enfermagem do CCO.

Ciência, Cuidado e o Reconhecimento do Impacto

Ao final de quase quatro horas de uma exaustiva batalha pela vida, veio o alívio. Hoje, mãe e filho passam bem, uma vitória celebrada por toda a unidade. Para o marido de Luana, Matheus Alves, que assistiu ao início do protocolo em desespero, o papel da enfermagem foi inesquecível: “Fomos acolhidos por cada pessoa da equipe. A dedicação e o olhar humano deles com a minha dor e a vida da minha esposa é algo que nunca vou esquecer”.

Para a equipe médica do hospital, o desfecho bem-sucedido — que surpreendeu até a literatura médica devido à rapidez da recuperação de Luana — é indissociável da sinergia com a enfermagem. Médicos obstetras e anestesistas foram unânimes em apontar que o monitoramento contínuo e a assistência direta prestada pela equipe técnica e de enfermeiros aceleraram o prognóstico e criaram as condições para que o coração de Luana voltasse a bater.