24 C
Brasília
quinta-feira, julho 2, 2026
Início Destaques Se Michelle não faz campanha para Flávio Bolsonaro, por que as mulheres...

Se Michelle não faz campanha para Flávio Bolsonaro, por que as mulheres fariam?

Michelle Bolsonaro é pré-candidata ao Senado pelo DF, confirma Jair Bolsonaro

A mais recente declaração do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, abriu um novo capítulo de intrigas nos bastidores do bolsonarismo e criou uma narrativa politicamente difícil de administrar para o partido. Afinal, se a principal liderança feminina do grupo não demonstra disposição para entrar na campanha de Flávio Bolsonaro, como convencer o eleitorado feminino a fazer o mesmo?

Embora Valdemar tenha afirmado que a situação entre Michelle e Flávio está “resolvida”, a própria necessidade de negar o desgaste evidencia que o episódio deixou marcas. Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quinta-feira (2), o dirigente admitiu que sente que Michelle Bolsonaro “não quer participar” da campanha do senador.

A declaração é considerada, nos bastidores, um reconhecimento público de que Michelle não pretende emprestar seu capital político a Flávio, justamente no momento em que o PL busca fortalecer sua principal vitrine eleitoral para o Senado.

O problema vai além da relação pessoal. Michelle consolidou-se como a principal liderança feminina do bolsonarismo, com forte influência entre mulheres evangélicas e eleitoras conservadoras. Sua ausência em uma campanha tão estratégica inevitavelmente alimenta um questionamento político: se nem ela demonstra entusiasmo para pedir votos para Flávio Bolsonaro, qual será o discurso capaz de mobilizar esse segmento do eleitorado?

Outro fator que reforça as especulações foi a decisão de Michelle de deixar a presidência do PL Mulher. Segundo Valdemar, ela comunicou pessoalmente que desejava deixar o comando do movimento e ainda sinalizou que talvez nem dispute uma vaga ao Senado.

A saída representa uma perda reconhecida pelo próprio presidente do partido.

“Ela fez um trabalho no PL Mulher que eu não sei se outra mulher teria condições de fazer”, afirmou Valdemar.

Além disso, Valdemar revelou incômodo com a postura recente de Michelle ao compartilhar um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho sobre festas ligadas ao Banco Master. Segundo ele, o conteúdo divulgado pela ex-primeira-dama não era verdadeiro, expondo também divergências internas sobre comunicação e estratégia política.

Publicamente, o discurso do PL é de pacificação. Valdemar afirmou que se reuniu com Flávio Bolsonaro na quarta-feira (1º) e garantiu que a campanha segue normalmente. Nos bastidores, entretanto, a ausência de Michelle na linha de frente da candidatura pode se transformar em um dos principais símbolos das fissuras existentes dentro do núcleo bolsonarista.

Na política, imagens costumam falar mais alto que discursos. E, em uma campanha voltada para conquistar o voto feminino, a pergunta tende a permanecer no ar: se Michelle Bolsonaro não faz campanha para Flávio Bolsonaro, por que as mulheres fariam?