Mil crianças prostituídas em um dos maiores bordéis do mundo

05 de Outubro de 2019

Uma reportagem da BBC revela que meninas com menos de dez anos vêm sendo aliciadas para trabalhar como prostitutas em um dos maiores bordéis do mundo, em Bangladesh. Outras mulheres alegam ter sido traficadas.

A prostituição é legalizada no país, mas apenas para maiores de 18 anos.

A despeito disso, a BBC descobriu que cerca de mil crianças vivem no bordel, localizado na cidade bengali de Daulatdia.

Tinha 19 anos quando cheguei. Fui trazida para cá, e me forçaram a ficar, contra a minha vontade. Ele não era um parente; era um conhecido do meu vilarejo. Me disse que me levaria a um outro lugar. Foi uma armadilha, conta uma mulher à BBC.

Outra prostituta entrevistada pela BBC nasceu no bordel.

Seu primeiro programa foi há 15 anos, quando ela tinha 11 anos.

Quem se sentiria bem em viver aqui? Adoraria me mudar deste lugar. Normalmente, saio para ver minha mãe, mas preciso do dinheiro. Não vejo a hora de sair daqui, diz.

Minha filha tem 11 anos. Quanto tempo vai levar para ela se tornar uma prostituta?, acrescenta.

Perto dali, funciona um abrigo para meninas de sete a 17 anos.

A BBC conversou com uma mulher que foi acolhida na instituição aos nove anos.

Mas, ao abandonar o bordel, deixou uma amiga para trás.

Ela era alta e inteligente. Era muito fofa e bonita. Mas sofria pressão para trabalhar no bordel. Não estava feliz ali, mas o abrigo não tinha espaço para outras crianças naquele momento.

Certa noite, a mãe dela forçou a entrada de um cliente no quarto dela. Quando ele saiu, minha amiga se enforcou.

Às sextas-feiras, muitas meninas vão encontrar seus parentes Gostaria de ver minha filha crescer e ter uma vida boa.

Eu destruí minha vida, não quero destruir a dela, diz uma mãe, que é prostituta, à BBC.

Desejo que ela consiga um bom emprego quando crescer. Espero poder concluir a escola e então conseguir um trabalho bem-remunerado, responde a filha.

Então, vou conseguir tirar minha mãe do bordel, acrescenta.

O abrigo cobra por cada menina. Alguns custos são cobertos por doações, mas grande parte deles pelas mães.

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