18.9 C
Brasília
segunda-feira, junho 8, 2026
Início Destaques Vacina da dengue do Butantan é suspensa após registros de eventos graves...

Vacina da dengue do Butantan é suspensa após registros de eventos graves e duas mortes sob investigação

Foto: Instituto Butantan

A vacina Butantan-DV é um imunizante tetravalente de vírus vivos atenuados, desenvolvido para induzir proteção contra os quatro sorotipos da dengue em dose única

O Ministério da Saúde determinou a suspensão cautelar da vacinação com o imunizante contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de eventos adversos graves, incluindo duas mortes que estão sendo investigadas pelas autoridades sanitárias.

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (8) e ocorre após a aplicação de aproximadamente 500 mil doses em todo o país. Segundo dados oficiais, 417 mil dessas doses foram destinadas a profissionais de saúde.

De acordo com o ministério, foram identificados 42 casos de reações adversas severas entre os vacinados. Desses registros, três evoluíram para quadros considerados graves, incluindo dois óbitos que ainda estão sendo analisados para determinar se existe ou não relação causal com a vacinação.

A vacina do Butantan é considerada um marco para a saúde pública brasileira por ser a primeira vacina totalmente desenvolvida e produzida no Brasil contra a dengue e a primeira do mundo concebida para proteção em dose única.

Casos graves acendem sinal de alerta

Segundo informações divulgadas pelas autoridades de saúde, os casos graves apresentaram características clínicas consideradas incomuns e que não haviam sido observadas durante as etapas de pesquisa e desenvolvimento do imunizante.

O primeiro caso envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para manifestações compatíveis com dengue grave, incluindo choque circulatório, exigindo internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após tratamento especializado, a paciente recebeu alta hospitalar.

O segundo caso ocorreu com uma mulher de 48 anos. Dezenove dias após a vacinação, ela desenvolveu sintomas graves associados a comprometimento neurológico, sendo diagnosticada com meningoencefalite. A evolução clínica foi desfavorável e resultou em óbito. Até o momento, não há conclusão sobre eventual relação entre a vacina e a morte.

O terceiro caso foi registrado em um homem de 58 anos. Cinco dias após receber a dose, ele apresentou febre e rápida evolução para um quadro de choque refratário. Apesar da assistência médica prestada, o paciente não resistiu.

As autoridades ressaltam que a investigação epidemiológica e laboratorial dos casos continua em andamento.

Ministério amplia vigilância

Com a suspensão preventiva da vacinação, o Ministério da Saúde anunciou um reforço no monitoramento de possíveis eventos adversos.

A partir desta semana, hospitais e serviços de saúde deverão intensificar a notificação e o acompanhamento de:

  • Casos de dengue em pessoas recentemente vacinadas;
  • Pacientes que apresentem sinais de alarme;
  • Internações relacionadas à doença;
  • Óbitos suspeitos.

A estratégia prevê ainda o monitoramento por lote de vacina, unidade de aplicação e território, com o objetivo de identificar eventuais padrões que possam auxiliar nas investigações.

O que devem fazer as pessoas vacinadas?

O Ministério da Saúde orienta que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias fiquem atentas ao aparecimento de sintomas e procurem atendimento médico imediatamente em caso de agravamento do quadro clínico.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • Febre persistente;
  • Dor abdominal intensa e contínua;
  • Vômitos frequentes;
  • Tontura;
  • Sangramentos;
  • Sonolência excessiva;
  • Irritabilidade;
  • Sinais de desidratação;
  • Piora do estado geral.

A recomendação é que qualquer manifestação considerada incomum seja comunicada aos serviços de saúde para avaliação e eventual notificação às autoridades sanitárias.

Butantan acompanha investigações

Em nota, o Instituto Butantan informou que seguirá integralmente as orientações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O instituto afirmou que a suspensão possui caráter preventivo e que colaborará com todas as etapas da investigação para esclarecer os eventos registrados e reavaliar a estratégia de imunização.

Enquanto as análises prosseguem, especialistas destacam que a apuração detalhada dos casos será fundamental para determinar se os eventos observados possuem relação direta com a vacina ou se decorrem de outros fatores clínicos e epidemiológicos.

A decisão do governo federal representa uma das mais importantes ações de farmacovigilância já realizadas envolvendo uma vacina desenvolvida integralmente no Brasil e deverá ser acompanhada de perto por autoridades sanitárias, pesquisadores e profissionais de saúde nos próximos dias.