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terça-feira, junho 16, 2026
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Empregado CLT pode faltar ao trabalho por até 3 dias para fazer exames sem desconto no salário

Medicare

Trabalhador CLT tem direito a 3 dias de folga remunerada para exames preventivos; empresas são obrigadas a informar benefício

Muitos trabalhadores brasileiros ainda desconhecem um direito garantido pela legislação trabalhista: a possibilidade de se ausentar do trabalho por até três dias a cada 12 meses para realizar exames preventivos de saúde, sem qualquer desconto no salário. A regra vale para empregados contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e ganhou reforço com a entrada em vigor da Lei nº 15.377/2026.

A nova legislação não apenas ampliou a proteção à saúde dos trabalhadores, como também criou uma obrigação para as empresas: informar formalmente seus funcionários sobre esse direito, além de divulgar campanhas oficiais de vacinação, prevenção ao papilomavírus humano (HPV) e orientações relacionadas aos cânceres de mama, colo do útero e próstata.

Na prática, o trabalhador pode utilizar até três dias por ano para realizar exames preventivos devidamente comprovados, sem prejuízo da remuneração. O benefício, que já existia para exames preventivos de câncer, passou a incluir também procedimentos relacionados ao HPV, uma das principais causas do câncer de colo do útero.

O que mudou com a nova lei?

A principal mudança é que o direito deixou de depender exclusivamente do conhecimento do trabalhador. Agora, o empregador deve comunicar de forma ativa a existência do benefício e disponibilizar informações sobre prevenção, vacinação e diagnóstico precoce de doenças.

Especialistas em saúde pública consideram a medida estratégica para ampliar o diagnóstico precoce e reduzir o número de casos descobertos em estágios avançados, quando o tratamento costuma ser mais complexo, mais caro e com menores chances de recuperação.

Além dos benefícios para a saúde do trabalhador, a medida pode contribuir para a redução de afastamentos prolongados, aposentadorias precoces por incapacidade e custos relacionados ao tratamento de doenças avançadas.

Quais exames podem ser realizados?

A legislação contempla exames preventivos relacionados ao HPV e aos cânceres de mama, próstata e colo do útero.

Entre os procedimentos mais recomendados estão:

Exame citopatológico (Papanicolau);

Mamografia;

Exames de rastreamento do HPV;

Exames preventivos para câncer de próstata;

Avaliações clínicas de rotina indicadas pelos profissionais de saúde.

A recomendação médica é que os exames sejam realizados de forma periódica, respeitando idade, histórico familiar e fatores de risco individuais.

Prevenção ainda salva vidas

Embora os avanços da medicina tenham ampliado as chances de tratamento de diversas doenças, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para reduzir mortes e sequelas.

No caso dos cânceres mais comuns, identificar alterações ainda nos estágios iniciais pode aumentar significativamente as possibilidades de cura e reduzir a necessidade de tratamentos agressivos.

A nova legislação busca justamente remover uma das barreiras mais frequentes apontadas pelos trabalhadores: a dificuldade de conciliar consultas e exames com a jornada de trabalho. Em discussões realizadas por trabalhadores nas redes sociais, muitos destacam que a falta de tempo é um dos principais motivos para o adiamento de exames preventivos.

Como utilizar o benefício?

Para utilizar o direito, o trabalhador deve realizar o exame preventivo e apresentar a comprovação exigida pela empresa, conforme os procedimentos internos adotados pelo empregador. Especialistas em legislação trabalhista recomendam que a solicitação seja comunicada previamente ao setor responsável sempre que possível.

Onde buscar atendimento?

No Distrito Federal, a porta de entrada preferencial para o Sistema Único de Saúde (SUS) são as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde o cidadão pode receber orientação médica, solicitar exames preventivos e ser encaminhado para serviços especializados quando necessário.

Mais do que um benefício trabalhista, a nova regra representa um incentivo para que milhões de brasileiros coloquem a própria saúde em primeiro lugar.