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quinta-feira, março 26, 2026
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HCB supera metas, recebe mais de R$ 120 milhões e mantém alta aprovação — mas relatório expõe falhas e pressão no atendimento

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar encerrou o terceiro quadrimestre de 2025 com desempenho expressivo: metas assistenciais superadas, alto nível de satisfação entre pacientes e familiares e mais de R$ 120 milhões em repasses públicos. Os dados constam no relatório oficial de monitoramento do contrato de gestão firmado entre a Secretaria de Saúde do DF e o Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada, responsável pela administração da unidade.

Apesar dos números positivos, o documento revela pontos de alerta que colocam em debate a sustentabilidade e a qualidade do modelo de gestão adotado.

Produção em alta: metas superadas e recorde em transplantes

O hospital ultrapassou praticamente todas as metas quantitativas previstas em contrato. Entre os destaques:

  • Consultas médicas: 103,1% da meta
  • Exames laboratoriais: 102,9%
  • Cirurgias: 100,9%
  • Internações em UTI: 115,4%
  • Transplantes: 200% (o dobro do previsto)

Na prática, os dados indicam um hospital operando em ritmo intenso, com forte capacidade de entrega — especialmente em procedimentos de alta complexidade.

Aprovação quase unânime dos usuários

A avaliação dos serviços reforça a percepção positiva:

  • Satisfação de familiares: 99,9%
  • Satisfação dos pacientes: entre 95% e 99%
  • Ouvidoria com resolução acima de 96%

Os indicadores apontam um padrão elevado de aprovação — cenário raro na rede pública.

Gargalos persistem: espera elevada e pressão assistencial

Apesar do desempenho global, o relatório expõe fragilidades operacionais:

  • Tempo médio de espera para consultas: acima do limite (mais de 80 minutos)
  • Exames gráficos e de imagem abaixo da meta
  • Aumento gradual da taxa de mortalidade hospitalar (até 5,7%)

Outro ponto sensível é a estrutura de ensino: cinco programas de residência médica operam com número insuficiente de preceptores, em desacordo com exigências legais.

Segurança assistencial sob controle, mas com sinais de atenção

Indicadores críticos mostram cenário controlado:

  • Infecções hospitalares dentro dos limites
  • Pneumonia associada à ventilação: zero
  • Reinternações em 24h: praticamente inexistentes

Por outro lado, eventos adversos moderados e graves continuam sendo registrados, o que exige vigilância contínua.

Mais de R$ 120 milhões e reforço via emendas parlamentares

O contrato garantiu repasses mensais superiores a R$ 32 milhões, com picos que chegaram a R$ 39 milhões. No período, foram assinados 12 termos aditivos, ampliando investimentos e serviços.

Entre os aportes, há recursos oriundos de emendas parlamentares de nomes como Damares Alves e Leila Barros, direcionados à compra de equipamentos, ampliação da UTI pediátrica e implantação de novos serviços.

Expansão tecnológica e mudanças estruturais

O hospital avançou em áreas estratégicas e conquistou habilitações importantes:

  • Transplante pediátrico
  • Terapia gênica

Ao mesmo tempo, perdeu habilitação em oncologia clínica dentro de complexo hospitalar — movimento que pode impactar o perfil assistencial da unidade.

Desconto milionário e custo com pessoal em alta

O relatório aponta ainda:

  • Desconto de R$ 4,3 milhões devido à cessão de servidores
  • Gasto elevado com pessoal, principal componente do orçamento

Mesmo assim, os indicadores financeiros permanecem equilibrados, sem sinais de desequilíbrio fiscal.

Conclusão: eficiência com sinais de desgaste

O balanço do período revela um hospital eficiente, produtivo e bem avaliado pela população. No entanto, também evidencia um sistema sob pressão:

  • Alta demanda
  • Estrutura tensionada
  • Gargalos no acesso ambulatorial
  • Desafios na formação médica

O modelo de gestão por organização social mostra capacidade de entrega, mas os dados indicam a necessidade de ajustes para evitar que o desempenho elevado se converta, no médio prazo, em sobrecarga estrutural.