Início Destaques EUA renovam por mais um ano ordem executiva de “emergência nacional” contra...

EUA renovam por mais um ano ordem executiva de “emergência nacional” contra o Brasil

Trump estuda recompensar denúncias de imigrantes ilegais em nova medida de imigração
AFP via Getty Images

WASHINGTON E BRASÍLIA — O governo dos Estados Unidos anunciou a prorrogação por mais 12 meses do decreto que classifica ações do governo brasileiro e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional e à economia americana. A medida, originalmente decretada em 30 de julho de 2025 sob a Ordem Executiva 14323, venceria nesta semana, mas foi mantida com a justificativa de que o cenário de atrito diplomático e institucional se preserva.

A decisão foi formalizada em comunicado emitido pela Casa Branca nesta terça-feira (28) e assinado pela Presidência dos EUA. O aviso oficial será encaminhado ao Congresso americano e publicado no Federal Register, o diário oficial do governo dos EUA.

Os argumentos de Washington

No documento, a administração americana sustenta a prorrogação com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) e na Lei de Emergências Nacionais. Entre os pontos centrais destacados pelo texto governamental estão:

  • Atuação do STF e liberdade de expressão: A Casa Branca aponta expressamente que a “censura promovida pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil”, a remoção de conteúdos na internet e a prisão de pessoas pelo exercício da palavra mantêm o status de ameaça à política externa e aos interesses econômicos americanos.

  • Ações contra o governo anterior: O comunicado acusa diretamente integrantes do Governo do Brasil de “perseguição política” contra um ex-presidente da República, seus familiares e apoiadores. Segundo o texto, tais episódios contribuem para o enfraquecimento do Estado de Direito e para a proliferação de atos de intimidação política no país.

  • Interesses corporativos e de cidadãos: Washington reitera que políticas do Estado brasileiro afetam de maneira desproporcional empresas e cidadãos norte-americanos atuantes no ecossistema digital e econômico global.

O que diz o trecho do comunicado: “Determinadas atividades, como a censura promovida pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil e a prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão (…) continuam a representar uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.”

Silêncio em Brasília

Procurado para se manifestar sobre a decisão e o teor das acusações feitas pela Casa Branca, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) ainda não se pronunciou oficialmente sobre o comunicado.

A renovação do decreto mantém a tensão diplomática entre os dois países no patamar mais elevado em anos, reabrindo o debate sobre ingerência externa e preservação das instituições democráticas no cenário global.