Por trás dos discursos de unidade, o encontro do MDB-DF expôs o desenho político que pretende sustentar a candidatura de Celina Leão ao Palácio do Buriti
A convenção do MDB-DF, realizada na manhã deste sábado (1º), na Associação dos Servidores da Câmara dos Deputados (Ascade), não foi apenas um ato partidário. Foi uma demonstração pública de que o partido decidiu ocupar seu lugar no projeto político que tem a governadora Celina Leão (PP) como protagonista para as eleições de 2026.
Celina chegou à Ascade por volta das 11h10 e encontrou um cenário que, na política, vale tanto quanto qualquer resolução aprovada em plenário: salão lotado, militância mobilizada e as principais peças da legenda reunidas em torno de uma mesma direção.
Na recepção estavam o vice da chapa, Gustavo Rocha, o presidente do MDB-DF, deputado distrital Wellington Luiz, parlamentares, pré-candidatos e lideranças partidárias.
A imagem produzida pela convenção foi inequívoca: PP e MDB seguem tratando a aliança como um projeto de continuidade política e administrativa para o Distrito Federal.
Em seu discurso, Celina fez questão de reconhecer o papel do MDB na construção da governabilidade e associou a parceria ao legado administrativo do ex-governador Ibaneis Rocha. O gesto político não foi casual. Ao citar Ibaneis diante da militância emedebista, a governadora reafirmou a tentativa de manter unido o grupo que chegou ao comando do Distrito Federal e pretende atravessar 2026 sem fraturas.
Celina também procurou projetar o MDB para além da composição majoritária. Disse acreditar no fortalecimento da legenda nas eleições do próximo ano e defendeu a ampliação de sua bancada tanto na Câmara Legislativa quanto na Câmara dos Deputados.
A equação apresentada pela governadora é simples na forma, mas decisiva na prática: quanto maior a unidade da nominata, maior a possibilidade de transformar a força política do grupo em cadeiras no Legislativo.
A saúde pública apareceu novamente entre as prioridades anunciadas por Celina. A governadora também destacou investimentos em infraestrutura e assistência social, com atenção especial às regiões mais carentes do Distrito Federal.
Ao fazer um balanço de sua administração, lembrou que, desde que assumiu o Governo do Distrito Federal, mais de 300 ordens de serviço foram autorizadas.
Mas foi na relação direta com o MDB que o discurso ganhou maior temperatura política.
Celina citou nominalmente os deputados distritais Wellington Luiz, Hermeto, Jaqueline Silva, Daniel Donizet e Iolando, além do deputado federal Rafael Prudente. Ao elogiar a nominata, a governadora reforçou que o desempenho eleitoral do partido dependerá da capacidade de seus integrantes permanecerem juntos até o fim da disputa.
A mensagem central da convenção, entretanto, coube em uma frase.
As divergências ficaram para trás.
A declaração, recebida com aplausos, ultrapassa o significado de uma manifestação de cordialidade partidária. Em uma eleição em que alianças, chapas proporcionais e composição de forças podem definir o equilíbrio político do Distrito Federal, declarar encerradas as divergências é também uma maneira de estabelecer um ponto de partida.
O MDB sai da convenção com um recado político definido: a legenda pretende participar ativamente da construção do projeto eleitoral de 2026 e manter sua estrutura integrada ao grupo que sustenta Celina Leão.
Mais do que uma convenção, o encontro funcionou como uma fotografia antecipada da eleição que se aproxima.
E, nela, Celina não apareceu apenas como convidada.
Apareceu como o centro em torno do qual o MDB decidiu organizar sua próxima batalha eleitoral.





