Preconceito, racismo e discriminação praticados contra negros e homossexuais

Por: Ivan Rodrigues

Ivan Rodrigues

O homossexualismo não será aceito como o novo normal em nossa sociedade, entenderam?

Comentário no portal S&DS em 23/05/2021 às 11:16 por F.B – [email protected]

As agressões aos homossexuais encontra a mesma direção do preconceito, racismo e discriminação praticados contra negros.

Creio que, assim como só Deus pode dá e tirar a vida de alguém, cabe somente e exclusivamente a Ele, quaisquer palavras no conjunto de ideias sobre o homossexualismo.

Quais das teorias existenciais, inclusive a religiosa consegue dar uma explicação para a homossexualidade?

Não, não estou aqui fazendo, eu, homem heterossexual, o papel na defesa do homossexualismo. Apenas faço um alerta, que o meu povo negro sofreu também, e, contemporaneamente sofre o preconceito, racismo e discriminação de cada dia.

Lembro-me das duras e preconceituosas palavras tais como: imagem do capete, anjo do demônio, Saci-pererê, Kichute, negrinho… entre tantas, que jovens negros de 1970, assim como eu, ouviram de seus colegas de sala de aula.

Arquivo pessoal de Ivan Rodrigues

Na sala de aula e intervalo, as crianças brancas, evitavam interagir conosco. Quase sempre eu apanhava na saída da escola. Nunca revelei para meus pais, o motivo de um braço quebrado, meu corpo diariamente cheio de hematomas e de uma surra que levei, que quase tirou a vida, situação que eu atribui como verdade, ao fato de ter caído em um vala de esgoto na saída da escola, situação não verdadeira de fato.

Estudar era uma batalha diária de sobrevivência em todos os sentidos. Chegou um momento da vidas que passei a odiar com todas as minhas forças, o Deus branco pregado na cruz das missas dominicais, que frequentávamos em família. Lembro de muitas vezes rezar assim: “Você não é meu Deus e nunca será. Te odeio!” No meu entendimento, Deus tinha me feito negro para servi de zombaria e espancamento por parte de meus colegas. Não entendia nem aceitava que meus pais se ajoelhassem diante daquela imagem de um Deus branco que não me defendia das agressões. Será que eles não haviam sofrido também na escola?

Quem passou por isso sabe que para nós o purgatório chamava-se “ESCOLA” era lá que pagávamos pelo pecado de nossa cor negra. Posso dizer que somos sobreviventes de todas essas agressões físicas, psicológicas e sociais que vivenciamos. Eu, queria que todos eles morressem! Literalmente morressem! Eu, era apenas uma criança sem saber o que fazer e para quem contar. Não queria que meus pais soubessem, porque os amavam demais para contar que eu não aceitava a cor de minha pele.

Foram dias, meses, anos de muitas dores e choros solitários em meu quarto, que somente o meu Deus negro, pregado na cruz – que eu pessoalmente desenhei e aceitei como meu Deus – que ficava escondido em baixo do meu colchão, testemunhou.

Por fim, quero dizer que a cor da pele ou identidade sexual de alguém não podem ser vistas com olhares do desrespeito ou discriminação, mas sim, que nossos olhares sejam de abolição de toda forma de preconceito, racismo e discriminação. Devemos colocar o respeito ao outro como princípio máximo desta vida.

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