Em 10 anos, 3.5 mil crianças nasceram na Casa de Parto de São Sebastião

Unidade é referência e o serviço tem 99% de aprovação

Um lugar tranquilo, com cegonhas e esculturas de gestantes compondo a decoração. Pelas paredes, recadinhos tranquilizam mulheres que estão prestes a dar à luz. Os quartos têm nomes de elementos da natureza. E as profissionais estão sempre com um sorriso no rosto. Na Casa de Parto de São Sebastião cada detalhe importa. A humanização é a palavra-chave. O local, referência para a rede, tem índice de satisfação de 99% do público atendido.

O percentual de aprovação está demonstrado em pesquisa realizada mensalmente com todas as gestantes que têm bebê na unidade. O atendimento da equipe, bem como a privacidade nos quartos e as orientações recebidas durante a estadia foram os itens que tiveram pontuação mais alta em todos os meses de 2018.

A microempresária Tatiane Elias Barbosa, 29 anos, é uma das que ajudaram a colocar esta estatística nas alturas. Mãe de quatro crianças, todas nasceram pelas mãos dos profissionais da Casa de Parto.

“No primeiro parto, eu tinha apenas 15 anos, nenhum parente em Brasília. No dia de ganhar neném, fui muito bem acolhida pelos profissionais daqui”, relembra Tatiane, mãe de Lara, hoje com 14 anos de idade.

Sete anos depois do nascimento da primeira filha, com a Casa de Parto em reforma e já funcionando no novo modelo, sem médicos e com enfermeiras obstétricas, Tatiane voltou à unidade para o nascimento de Cibele. “O atendimento foi ainda melhor. Por isso, nas minhas duas últimas gestações, nem pensei em procurar outro hospital, já vim logo para a Casa de Parto”, conta ela, já com o pequeno Theo, de 10 meses, e Rafaela, de 3 anos, aumentando a família.

HUMANIZAÇÃO – Para a gerente da Casa de Parto, Jussara Vieira, o diferencial da unidade é justamente esse olhar humanizado sobre a mãe e seu bebê, bem como da família como um todo.

“A formação dos profissionais é para o cuidado. Eles têm a visão de que o parto normal é natural e deve sofrer o mínimo de intervenção. Acompanhamos a paciente durante todo o trabalho de parto”, observa Jussara.

Outros diferenciais do espaço são o funcionamento 24 horas, o horário de visita estendido – vai de 8h às 18h, e a possibilidade do pai acompanhar o parto e poder ser acompanhante no quarto até a alta médica, que pode acontecer entre 24 horas e 48 horas.

A equipe é formada por 15 enfermeiros obstétricos, sete técnicos de enfermagem, dois nutricionistas e quatro técnicos de nutrição. “Não temos médicos. A referência médica é o Hospital da Região Leste, que nos dá a retaguarda. Por isso, recebemos apenas gestantes de baixo risco assistencial. Seguindo um protocolo com critérios de admissão”, explica a profissional.

E a retaguarda funciona. O parto de Maria de Fátima foi tranquilo, há dois meses. Porém, o pequeno Heitor nasceu cheio de bolinhas pelo corpo e foi preciso ser avaliado por equipe médica.

“Um profissional da Casa de Parto nos acompanhou, de ambulância, até o hospital, para verificar o que havia acontecido. Graças a Deus, não era nada de mais e voltamos para São Sebastião”, conta ela, que também é mãe do Rafael, de 1,5 ano, nascido na unidade.

ESTRUTURA – A Casa de Parto de São Sebastião funciona no mesmo terreno da Policlínica e da UBS 1 da cidade, em estrutura totalmente independente.

No local, há quatro salas, sendo que uma delas conta com uma banheira, para as mamães que desejarem fazer o parto na água. Apesar de ter escolhido esta sala para ganhar Eloá Cristina, a estudante Tauany Lima Tavares não teve tempo para usar a banheira. “O trabalho de parto foi rápido”, disse, sorrindo.

A unidade tem, ainda, sala de cuidados com o recém-nascido e os dois consultórios para avaliação de grávidas e revisão de parto. E no fundo de todos os quartos há, ainda, uma área de circulação.

“Estamos aguardando nossa reforma. Já temos valor empenhado do Ministério da Saúde e estamos na fase dos projetos complementares”, conta Jussara, ressaltando que não há intenção de aumentar número de leitos, mas sim, de melhorar o ambiente e adequá-lo ainda mais ao que é preconizado para partos humanizados.

HISTÓRIA – A Casa de Parto foi inaugurada em agosto de 2001 como uma maternidade tradicional, com equipe médica e de enfermagem. Em março de 2009 passou por uma reestruturação na assistência, quando enfermeiras obstetras assumiram a assistência ao parto e seguiram o trabalho com a implementação das boas práticas na assistência ao parto e nascimento, baseando-se em evidências científicas.

Em 10 anos do novo modelo, foram quase 46 mil atendimentos, 2.512 gestantes participando de rodas de conversa e visita de vinculação, além de 3,5 mil partos. Mensalmente, cerca de 35 partos são feitos na unidade.

“Temos capacidade para fazer até 50, mas percebemos que falta informação da população para nos procurar. Por isso, estamos fazendo um trabalho junto às equipes de saúde da família, para mostrar às gestantes como funciona nosso trabalho”, ressalta Jussara. Por lei, somente moradoras de São Sebastião e mulheres que fazem pré-natal na Região de Saúde Leste podem fazer o parto no local.

FESTA – Neste mês de março, quando a unidade comemora 10 anos do novo modelo, em que enfermeiras obstétricas fazem o trabalho de parto humanizado, a Casa de Parto pretende retribuir o carinho, homenageando algumas das mulheres que já passaram por lá.

Haverá uma festa, com exibição de filme, roda de conversa e distribuição de brindes, no dia 28 de março.


Assessoria de Comunicação

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