Imóvel de 13,5 mil m² no SIG será levado à hasta pública após inadimplência em debêntures; empresa ainda pode evitar a venda antes do segundo leilão
A sede do Correio Braziliense, um dos mais tradicionais veículos de comunicação do país, poderá mudar de proprietário ainda neste mês. O complexo imobiliário localizado no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), em Brasília, foi colocado em leilão extrajudicial após a empresa ser considerada inadimplente no pagamento de debêntures garantidas por alienação fiduciária.
O edital, publicado pelo leiloeiro oficial Adriano de Souza Cardoso, informa que serão leiloados nove lotes — de números 300 a 380 do SIG — que somam 13.500 metros quadrados de terreno e 16.603,09 metros quadrados de área construída.
A propriedade foi consolidada em favor do agente fiduciário Pentágono S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, representante da Casaforte Construções e Incorporações S.A., após o vencimento das debêntures emitidas pela S/A Correio Braziliense, conforme prevê a Lei nº 9.514/1997.
Lance inicial supera R$ 118 milhões
O primeiro leilão eletrônico está marcado para 24 de julho de 2026, às 11h30.
Nesta etapa, somente serão aceitos lances iguais ou superiores ao valor atualizado da avaliação do imóvel, fixado em R$ 118.350.776,12.
Caso nenhum interessado apresente proposta nesse valor, será realizado um segundo leilão em 28 de julho, também às 11h30.
Dívida chega a R$ 159,3 milhões
O dado que mais chama atenção no edital é o montante da dívida.
Segundo o documento, o débito decorrente de 52 debêntures vencidas alcança R$ 159.299.129,95, valor aproximadamente R$ 41 milhões superior à avaliação do patrimônio imobiliário.
Na prática, isso significa que o passivo financeiro vinculado à operação supera o valor de mercado atribuído ao imóvel.
Patrimônio histórico
O complexo colocado à venda abriga há décadas a sede do Correio Braziliense, fundado em Brasília em 1960 e considerado um dos jornais de maior relevância política do país.
A eventual alienação do imóvel não significa, necessariamente, interrupção das atividades da empresa, mas representa uma das maiores execuções patrimoniais envolvendo um grupo de comunicação no Distrito Federal nos últimos anos.
Venda será no estado em que o imóvel se encontra
O edital estabelece que o futuro comprador assumirá diversas obrigações, entre elas:
- pagamento de ITBI e despesas cartoriais;
- débitos de IPTU, TLP, água e energia;
- custos de regularização de aproximadamente 9.700 metros quadrados de área construída ainda não averbada;
- eventuais medidas judiciais para obtenção da posse do imóvel.
A venda ocorrerá “ad corpus”, ou seja, no estado físico e documental em que o imóvel se encontra, sem possibilidade de questionamento posterior sobre diferenças de área ou necessidade de reformas.
Liminar foi revogada
O edital também informa que existem processos judiciais envolvendo o imóvel e as empresas participantes da operação.
Entre eles estão ações de cobrança, execução de título extrajudicial e uma tutela cautelar proposta pelo Correio Braziliense.
Segundo o documento, a liminar que havia suspendido anteriormente o leilão foi revogada após julgamento da 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), em acórdão de 19 de junho de 2026.
De acordo com o edital, atualmente não existe decisão judicial que impeça a realização da hasta pública.
Empresa ainda pode evitar o leilão
Apesar da realização do certame, a legislação garante à devedora o direito de preferência até a realização do segundo leilão.
Nesse período, o Correio Braziliense poderá quitar a dívida, acrescida dos encargos legais e despesas previstas na Lei nº 9.514/1997, evitando a alienação definitiva do patrimônio.
Caso isso não ocorra e haja arrematação, o imóvel poderá passar para um novo proprietário, encerrando um dos capítulos mais emblemáticos da história patrimonial da imprensa brasiliense.
Os números da operação

- Imóvel: sede do Correio Braziliense, no SIG.
- Área do terreno: 13.500 m².
- Área construída: 16.603,09 m².
- Valor de avaliação: R$ 118.350.776,12.
- Valor da dívida: R$ 159.299.129,95.
- Primeiro leilão: 24 de julho de 2026.
- Segundo leilão: 28 de julho de 2026.
Nota da Redação: A publicação do edital não significa que a venda do imóvel seja inevitável. Até a realização do segundo leilão, a empresa devedora pode exercer os direitos previstos em lei, quitar o débito ou firmar acordo com o credor. O espaço permanece aberto para manifestação do Correio Braziliense e das demais partes citadas sobre o procedimento de execução e as medidas eventualmente adotadas.




