REVALIDA UMA VITÓRIA DA DEMOCRACIA E UMA CONQUISTA DA SAÚDE BRASILEIRA

03 de Dezembro de 2019

Dr Flávio Lima Barreto ao site: Saúde & Direitos Sociais

Países desenvolvidos têm sistemas bem definidos de revalidação de diplomas, de forma célere e descentralizada. O fluxo de imigração profissional é algo constante. A critério de elucidação, 36% dos médicos que atuam na Inglaterra são estrangeiros, 20% dos médicos nos Estados Unidos são imigrantes e, nos últimos anos, houve um incremento de 40% na busca por revalidação em território americano.

Em outras palavras, não estamos inventado a roda, pois estes mecanismos já existem por todo o mundo. Na realidade, atualmente estamos perdendo capital intelectual jovem, que poderia contribuir com a saúde pública brasileira e inovações em pesquisas na área.

Quando se trata de qualidade de ensino, é necessário realizar uma síntese reflexiva acerca das diversas potencialidades e peculiaridades dos sistemas educacionais. O Brasil encontra-se na 119ª posição no ranking de educação de acordo com o Fórum Econômico Mundial. No que tange à educação médica, estamos na 55º posição, e não temos uma universidade sequer entre as 100 melhores do mundo. Nossa melhor universidade, a Universidade de São Paulo (USP), está na 251º posição. Em síntese, resta explícito que não deve ocorrer estigmatização ou xenofobia com profissionais oriundos do exterior.

Entretanto, é fundamental fortalecer ferramentas que avaliem a capacidade técnica dos profissionais que atuarão no país, não só de médicos intercambistas, como também dos egressos de universidades brasileiras. Em diversas edições, o exame de avaliação de recém-formados realizado pelo Cremesp demonstrou elevados percentuais de reprovação. Esta perspectiva foi evidenciada em outras regiões do país, como em Rondônia que chegou a registrar 86,6% de reprovação nas avaliações de médicos formados no Brasil.

O Brasil está na segunda posição no ranking de escolas médicas, com 341 escolas, perdendo apenas para Índia, que sabidamente tem um quantitativo populacional muito superior ao nosso. Analisando a realidade das escolas médicas daqui, contata-se que 58% são privadas, e cobram preços exorbitantes, que pesam muito no bolso da maior parte das famílias brasleiras. Estas universidades privadas detêm 70% das vagas para o curso de medicina. De acordo com a última avaliação do Sinaes 2016, das 177 escolas médicas brasileiras com turmas já formadas, apenas 3 escolas receberam nota 5 e 59 cursos alcançam a nota 4, sendo as demais escolas médicas brasileiras avaliadas com notas inferiores.

Então, avaliando estas informações, fica clara a necessidade de solidificar o ensino médico, as ferramentas de avaliação profissional e a valorização das instituições com excelência em ensino e ótima avaliação no Sinaes.

O fortalecimento dos processos de revalidação de diplomas médicos, proporcionando a inserção de universidades privadas de excelência, otimiza os trâmites burocráticos, promove celeridade e assegura os interesses da saúde e da população brasileira. É imperioso citar que, como as escolas privadas são responsáveis pela emissão do maior percentual de diplomas dos egressos de medicina no país, a possibilidade de descentralização da segunda fase do Revalida em universidades privadas de excelência nada tem haver com flexibilização, principalmente tratando-se exclusivamente de universidades com notas 4 e 5 no Sinaes.

Vale ressaltar, por fim, que o exame será de competência da Secretária de Educação Superior (SESu) do MEC, sendo um exame padronizado, nacional e homogêneo, acompanhado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). À universidade privada, por sua vez, caberá apenas a revalidação do diploma do candidato aprovado nas duas fases, descentralizando o processo e promovendo acessibilidade. Esta medida não se trata apenas dos sonhos de quem se formou no exterior, pois é, também, a esperança por saúde das periferias e comunidades brasileiras.

Dr Flávio Lima Barreto

10 Comentários

  • Rayalle Dias disse:

    Números alarmantes, que são ignorados, quando se trata de formações brasileiras. Super bem abordado no texto👏
    Parabéns Dr. por contribuir, e muito, para que a revalidação de diplomas extrangeiros seja feita com frequência, sendo este um direito tanto da população quanto de nós, médicos formados no exterior.

  • Rayalle Dias disse:

    Números alarmantes, que são ignorados, quando se trata de formações brasileiras. Super bem abordado no texto👏
    Parabéns Dr. por contribuir, e muito, para que a revalidação de diplomas estrangeiros seja feita com frequência, sendo este um direito tanto da população quanto de nós, médicos formados no exterior.

  • Jefferson Santos disse:

    Excelente! O Brasil só tem a crescer … 👏🏽👏🏽

  • Parabéns Dr. Flávio Lima Barreto!
    Você fez um excelente trabalho, representando NÓS médicos (as), formados no exterior, mas fez muito mais que nos representar, você evidenciou com suas pesquisas, o quão a qualidade de ensino e acessibilidade ao curso de medicina precisa melhorar no Brasil!!!
    RevalidaSim 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

  • Robson Dutra disse:

    Não sou médico nem profissional de saúde, mas, gostaria de fazer um breve comentário. Levei minha noiva à UPA do Núcleo Bandeirante com fortes dores abdominais. Chegando foi classificada como laranja. O médico Diego após avalia-lá fez a internação dela para exames no outro dia. No dia seguinte, o médico David ao examiná-la disse que não seria necessário os exames e que podia ir para casa. O enfermeiro Ivan Rodrigues informou ao médico que não iria liberá-la pois seu estado noturno foi complicado. O médico David nada falou. Acompanhei minha noiva na ambulância ao HRAN para exame de ultrassonografia, mas infelizmente aparelho quebrado. Retornamos para a UPA e resolvemos fazer em uma clínica particular em razão das fortes dores abdominais.
    No outro dia, fomos a uma clínica e já de posse do resultado retornamos à UPA. O médico David olhou o exame e nada constatou, mas como as dores eram intensas, continuamos na UPA. No dia seguinte, HRAN novamente. Chegando para exame de tomografia a médica disse que não iria fazer de nenhum mais paciente. Fiquei fora de mim! Procurei a direção e encontrei o diretor. Me apresentei e mostrei a carteira de jornalista. Ah! as coisas mudaram! Me acompanhou até a sala de exames e pediu para eu esperar do lado de fora que iria conversar com a médica. Voltou e me disse que a médica iria proceder ao exame. Após o exames fomos às pressas para o centro cirúrgico pois estava com o apendicite estourado. Deu tudo certo em razão do médico Diego e do enfermeiro Ivan Rodrigues. Façam uma reflexão! Se tivéssemos ido embora, quando o médico David a liberou talvez estivesse morta ou situação de agravamento como septicemia. É preciso um REVALIDA para todos, médicos brasileiros, médicos estrangeiros…inclusive enfermeiros também.

    • Flávio Lima Barreto disse:

      Ótima reflexão, espero que tudo tenha corrido bem no procedimento cirúrgico e que sua esposa tenha uma ótima recuperação. 🙏🏻🙌🏻

  • Wesley Murakami disse:

    Com tantas faculdades de medicina em Goiania, em breve, será a cidade com mais médicos por metro quadro do Brasil.

  • Dr Thiago Lima - HUGO em Goiás disse:

    Dr Flávio Lima perfeita colocação com imparcialidade e dados atuais do cenário que estamos a vivenciar.

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