
A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) ganhou um novo componente político e econômico nesta segunda-feira (27). Em declaração que deve repercutir no mercado financeiro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deixou claro que o governo federal não pretende assumir a responsabilidade pelas perdas decorrentes das operações realizadas entre o BRB e o Banco Master. A mensagem foi direta: a origem do problema está na gestão do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal e, portanto, a solução deverá partir do seu acionista majoritário.
Durante entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Durigan afirmou que o BRB “passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo”, em referência aos ativos recebidos pelo banco distrital nas negociações realizadas entre 2024 e 2025. Segundo o ministro, tratam-se de papéis sem valor econômico, situação que classificou como um possível “crime”.
Mais do que a crítica à operação, a fala do ministro representa um importante recado ao sistema financeiro. Ao afirmar que “a crise não é da União”, Durigan praticamente afasta qualquer expectativa de socorro direto com recursos do Tesouro Nacional, reforçando que a responsabilidade patrimonial recai sobre o controlador da instituição: o Governo do Distrito Federal.
A posição da equipe econômica também sinaliza ao mercado que eventuais consequências fiscais, financeiras e até jurídicas deverão permanecer na esfera do DF. Em outras palavras, caso o plano de recuperação não seja suficiente para restabelecer a confiança dos credores e do sistema bancário, caberá ao governo distrital responder pelos atos de gestão que levaram à deterioração patrimonial do banco.
O ministro lembrou que o Distrito Federal dispõe de instrumentos próprios para enfrentar a crise, inclusive o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), limitada a 16% da Receita Corrente Líquida do DF.
Segundo Durigan, neste momento o BRB precisa convencer o mercado de que possui um plano consistente de reestruturação.
“Agora, o BRB está mostrando para o sistema privado, para o FGC e para os bancos qual é o caminho de saída. Os bancos estão se convencendo ou não de que o BRB tem um plano consistente para receber essa ajuda e se transformar em uma instituição que siga com seriedade”, afirmou.
Sinal para investidores
A manifestação do Ministério da Fazenda também possui forte peso institucional. Ao separar claramente as responsabilidades entre União e Distrito Federal, o governo federal busca reduzir o risco de percepção de um resgate automático por parte do Tesouro Nacional, preservando a disciplina fiscal e evitando o chamado “risco moral” — quando agentes assumem riscos excessivos acreditando que serão posteriormente socorridos pelo governo central.
Na prática, a declaração reforça que a credibilidade do BRB dependerá da capacidade de sua administração e de seu controlador em apresentar uma solução técnica capaz de restaurar a confiança do mercado, dos credores e dos órgãos reguladores.
Caso isso não ocorra, a sinalização do Ministério da Fazenda é inequívoca: a responsabilidade política, administrativa e financeira permanecerá concentrada na esfera do Governo do Distrito Federal, controlador do banco, sem transferência do ônus para a União. Esse posicionamento tende a elevar a pressão sobre os gestores responsáveis pelas decisões que culminaram na atual crise, ao indicar que eventual responsabilização deverá ocorrer no âmbito do próprio ente controlador.



