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Exclusivo: fonte ligada ao Banco Master afirma que ativos relacionados ao BRB estariam em duas “cold wallets” de Bitcoin

Banco de Brasília [BRB]
Foto: Divulgação/BRB

Dispositivos do tamanho de um pen drive seriam identificados internamente como “BRB COLD WALLET”; segundo a fonte, apenas Daniel Vorcaro e o pai dele saberiam onde estariam os equipamentos

Uma informação obtida com exclusividade pelo portal Saúde & Direitos Sociais (S&DS) coloca uma nova questão no centro das investigações envolvendo o Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as operações realizadas com o Banco de Brasília (BRB): a possível existência de dois dispositivos físicos utilizados para armazenar criptoativos associados a recursos oriundos das operações entre as instituições.

Segundo uma pessoa que participou da estrutura administrativa do antigo Banco Master e que afirma ter tido acesso a informações internas da instituição, os dispositivos seriam pequenos, semelhantes a um pen drive, e estariam identificados internamente como “BRB COLD WALLET”.

A fonte afirma que os equipamentos armazenariam bitcoins e que Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Moura Vorcaro, seriam as únicas pessoas que tinham conhecimento sobre sua localização.

“Sei que são dois dispositivos descritos como ‘BRB COLD WALLET’ que apenas ele e o pai falavam”, relatou a fonte ao S&DS.

A informação, contudo, não foi confirmada de forma independente pelo S&DS. O portal não teve acesso aos dispositivos, às respectivas chaves criptográficas, a registros de blockchain que permitam associá-los às operações do BRB ou a documentos que comprovem a existência das chamadas carteiras.

O que significa uma “cold wallet”

No mercado de criptoativos, uma cold wallet é uma carteira destinada a manter as chaves privadas de criptomoedas fora de dispositivos permanentemente conectados à internet.

O modelo é utilizado justamente para reduzir a exposição dos ativos a ataques cibernéticos. Na prática, o dispositivo físico pode armazenar ou permitir o acesso às chaves necessárias para movimentar os bitcoins.

Isso significa que, se a informação da fonte estiver correta e os dispositivos realmente contiverem bitcoins, a recuperação dos ativos dependeria não apenas da localização física dos equipamentos, mas também do acesso às respectivas chaves, senhas ou mecanismos de autenticação.

A existência de uma cold wallet, por si só, não demonstra irregularidade ou ocultação patrimonial.

Por que a informação interessa ao BRB

A alegação ganha relevância diante do volume das operações envolvendo o BRB e o conglomerado de Daniel Vorcaro.

O Banco Central decretou, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições do conglomerado, citando grave crise de liquidez, comprometimento econômico-financeiro e graves violações às normas que regulam o sistema financeiro.

Posteriormente, as operações envolvendo BRB e Master passaram a integrar o centro das investigações sobre carteiras de crédito e outros ativos adquiridos pelo banco público do Distrito Federal.

Documentos e informações divulgados ao mercado apontaram para operações bilionárias entre as instituições. Em comunicado ao mercado, o próprio BRB respondeu a questionamentos relacionados às operações com o grupo de Vorcaro e às apurações sobre dirigentes envolvidos nas negociações.

Em julho de 2026, o BRB chegou a negociar com a gestora Quadra Capital a transferência de aproximadamente R$ 15 bilhões em ativos adquiridos do Banco Master, mas a operação foi posteriormente encerrada.

É nesse contexto que a informação sobre as supostas “BRB COLD WALLET” assume relevância para o sistema financeiro: caso a existência dos dispositivos seja confirmada e eles tenham efetivamente relação com recursos pertencentes ao BRB ou ao conglomerado sob liquidação, poderá haver uma nova frente de investigação patrimonial e de rastreamento de ativos.

Fonte diz que tinha acesso a informações privilegiadas

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, aparece no centro de uma crise que envolve relações com diferentes setores do poder político e institucional.

Questionada pelo S&DS sobre como teria conhecimento dos dispositivos, a fonte afirmou que sua posição dentro da estrutura administrativa do Banco Master lhe permitia acesso a informações internas e classificadas.

A pessoa também confirmou que deixou o conglomerado após a liquidação extrajudicial.

Segundo seu relato, foi demitida e atualmente trabalha em outra instituição financeira, cuja identidade preferiu não revelar.

O S&DS não publica o nome da fonte para preservar sua identidade e sua atividade profissional.

Informação precisa ser investigada

A principal questão, agora, é determinar se os dois dispositivos efetivamente existem, quem é o titular jurídico dos ativos eventualmente armazenados neles, qual seria o valor dos bitcoins e se existe qualquer conexão entre essas carteiras e as operações realizadas com o BRB.

Também seria necessário identificar os endereços públicos das eventuais carteiras e verificar, por meio da blockchain, movimentações que possam estabelecer uma conexão objetiva entre os ativos digitais e pessoas, empresas ou operações relacionadas ao Banco Master.

Essa apuração é particularmente relevante porque transações em Bitcoin deixam registros públicos na blockchain. O que não é público, em regra, é a identidade do proprietário de determinado endereço — razão pela qual a atribuição de uma carteira a uma pessoa ou instituição exige evidências adicionais.

O que ainda não se sabe

Até o momento, o S&DS não conseguiu confirmar:

  • a existência física dos dois dispositivos;
  • a localização atual dos equipamentos;
  • o conteúdo das supostas carteiras;
  • o número de bitcoins eventualmente armazenados;
  • os endereços públicos associados às carteiras;
  • a identidade dos titulares das chaves privadas;
  • qualquer vínculo técnico entre os dispositivos e o BRB;
  • se os eventuais criptoativos pertencem ao Banco Master, a empresas relacionadas, a terceiros ou a pessoas físicas;
  • se os ativos foram movimentados antes ou depois da liquidação das instituições.

Por isso, a informação apresentada nesta reportagem deve ser tratada como uma denúncia de fonte com conhecimento interno alegado, e não como comprovação da existência ou propriedade dos ativos.

Uma nova pergunta para os investigadores

Se confirmada, a existência das supostas “BRB COLD WALLET” acrescentaria uma dimensão até agora pouco explorada publicamente no caso: a eventual utilização de criptoativos como instrumento de custódia patrimonial em meio às operações bilionárias envolvendo o Banco Master e o BRB.

A investigação teria, portanto, de responder a uma pergunta objetiva:

existem bitcoins relacionados aos recursos das operações entre BRB e Banco Master armazenados em carteiras físicas cujo paradeiro ainda não foi identificado?

A resposta dependerá de evidências técnicas, documentais e patrimoniais — e não apenas do relato da fonte ou da identificação nominal atribuída aos dispositivos.

O S&DS procurará ouvir o BRB, o Banco Central, o liquidante do Banco Master e as defesas de Daniel Vorcaro e Henrique Moura Vorcaro sobre a informação e atualizará esta reportagem caso sejam apresentadas manifestações ou documentos capazes de confirmar ou refutar a existência das supostas carteiras.