Prefeito de Anápolis rebate ataques do senador, resgata episódios de sua trajetória política e questiona sua atuação em votações e articulações no Senado
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O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), elevou o tom contra o senador Wilder Morais (PL), candidato ao governo de Goiás, na noite desta sexta-feira (4). Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito rebateu uma declaração de Wilder, que havia se definido durante sabatina ao portal Mais Goiás como político de “sabor direita”.
Em resposta, Márcio devolveu a provocação com uma sequência de expressões: “sabor Cachoeira”, “sabor Moraes”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”. Ao longo do vídeo, o prefeito também criticou a atuação política do senador e afirmou que ele deveria apresentar propostas em vez de concentrar seus esforços em ataques pessoais.
“Podia ter citado aí ‘sabor Cachoeira’, ‘sabor Moraes’, ‘sabor Messias’, ‘sabor rabo preso’, ‘sabor preguiça’. Mas o seu sabor, senador, é sabor amargo da derrota, por essas atitudes”, afirmou Márcio.
Ao citar “sabor Cachoeira”, o prefeito recuperou um episódio da trajetória política de Wilder relacionado ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em gravações divulgadas no âmbito da Operação Monte Carlo, Cachoeira afirmou ter participado da trajetória política de Wilder. Em uma das conversas, o contraventor disse: “Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu”. Wilder, por sua vez, reconheceu a importância de Cachoeira em sua trajetória.
Em 2012, Wilder assumiu no Senado a vaga deixada por Demóstenes Torres após a cassação do então senador.
A expressão “sabor Messias” faz referência à ausência de Wilder na votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O registro oficial do Senado aponta o senador como “não compareceu” na sessão em que a indicação foi rejeitada. O nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários.
A ausência de Wilder não impediu a rejeição da indicação, mas passou a ser explorada politicamente por adversários dentro do campo da direita. Posteriormente, o senador publicou vídeo comemorando o resultado da votação.
Já a referência a “sabor Moraes” remete à participação de Wilder em um encontro realizado em 2017, durante a tramitação da indicação de Alexandre de Moraes para o STF. O então indicado participou de uma reunião com senadores na embarcação de Wilder, no Lago Paranoá, em Brasília. O encontro serviu para que Moraes apresentasse suas posições e buscasse apoio entre parlamentares antes da votação de sua indicação.
Anos depois, Moraes se tornaria um dos principais protagonistas dos conflitos judiciais envolvendo o bolsonarismo e Jair Bolsonaro (PL).
“Projeto falido”
No vídeo, Márcio também criticou a campanha de Wilder e questionou sua proximidade com a população.
“Não vai pôr botina só no dia do debate, não, e ficar usando sapatinho caro no ar-condicionado. Vai pôr botina, trabalhar, dialogar com a população”, afirmou.
Em outro trecho, o prefeito classificou a candidatura de Wilder como “projeto falido” e “barco que está afundando”.
“Todo dia é um desembarcando por causa dessas atitudes imaturas”, declarou.
A crise entre os dois integrantes do PL ocorre depois que Márcio anunciou, em 22 de agosto, apoio à reeleição de Daniel Vilela. A decisão provocou reação dentro do partido e resultou na abertura de processo ético-disciplinar contra o prefeito.
Principal prefeito do PL em Goiás e chefe do Executivo de Anápolis, Márcio afirma que continua apoiando nomes que considera alinhados à direita, entre eles Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo.
“Enquanto eu fico trabalhando aqui pela população e, fora do horário, apoiando os candidatos verdadeiramente de direita, vai honrar esse partido”, provocou.
A disputa entre Márcio e Wilder coloca em lados opostos dois nomes do mesmo partido e acrescenta mais um capítulo à corrida pelo governo de Goiás em 2026.



