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sábado, setembro 5, 2026
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Caiado promete reconfigurar o STF com quatro mulheres e “choque de realidade” na Corte

Presidenciável do PSD defende reforma do Judiciário, fala em “choque de realidade” e questiona permanência de Alexandre de Moraes

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, colocou o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro de sua campanha ao prometer, caso seja eleito, indicar quatro mulheres para a Corte e promover uma reforma do Judiciário.

A proposta foi apresentada nesta sexta-feira (4), durante sabatina da revista Veja. Para Caiado, o Supremo precisa passar por uma mudança de postura e receber um “choque de realidade”.

O Supremo precisa tomar um choque de realidade”, afirmou.

A promessa ganha dimensão política porque o próximo presidente poderá indicar quatro novos ministros do STF durante o mandato, em razão das aposentadorias compulsórias de integrantes da Corte que atingirão a idade-limite de 75 anos.

Assim, a eleição de 2026 poderá influenciar diretamente a composição futura do tribunal.

Quatro mulheres, quatro escolhas estratégicas

Caiado não revelou nomes para as eventuais indicações. Segundo o candidato, serão considerados critérios como trajetória profissional e reconhecimento técnico.

A proposta, portanto, não se limita à ampliação da presença feminina no Supremo. O candidato associa as futuras nomeações a uma mudança na própria atuação da Corte.

Caiado afirmou que espera que as mulheres indicadas contribuam para uma postura que considere maior sensibilidade e responsabilidade nas decisões judiciais.

“É preciso ter a sensibilidade e a responsabilidade da mulher”, declarou.

A eventual indicação de quatro mulheres também produziria uma alteração relevante na composição do STF, que atualmente possui 11 ministros.

O impacto, contudo, dependeria igualmente do Senado, responsável por sabatinar e aprovar os nomes indicados pelo presidente da República.

É justamente nessa combinação entre Palácio do Planalto, Senado e Supremo que a promessa de Caiado ganha dimensão institucional.

“As regras serão outras”

A mudança proposta pelo presidenciável não termina nas nomeações.

Caiado afirmou que pretende alterar regras relacionadas ao funcionamento do Supremo e defendeu uma reforma do Poder Judiciário.

“Assumindo o governo, sem dúvida alguma, as regras serão outras”, afirmou.

O candidato também já defendeu mudanças relacionadas à atuação dos ministros, incluindo discussão sobre idade mínima para integrantes do STF e quarentena para magistrados.

A proposta coloca em debate uma questão que ganhou força nos últimos anos: até onde deve ir a atuação do Supremo e quais devem ser os limites de sua relação com o Executivo e o Legislativo?

É uma discussão que ultrapassa a escolha dos próximos ministros.

Moraes no centro da crítica

Na mesma sabatina, Caiado questionou a permanência do ministro Alexandre de Moraes no STF e citou as suspeitas e questionamentos envolvendo o magistrado e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A manifestação ocorre em meio às controvérsias envolvendo o caso e às discussões sobre a atuação de Moraes.

Caiado defendeu que ministros do Supremo também devem responder por sua conduta e sustentou que a Corte precisa recuperar credibilidade perante a sociedade.

As declarações colocam o candidato em posição de confronto direto com uma das figuras mais controversas do Judiciário brasileiro nos últimos anos.

É importante, contudo, distinguir questionamentos políticos e suspeitas em investigação de qualquer conclusão definitiva sobre responsabilidade jurídica.

Uma eleição que também poderá definir o próximo STF

A estratégia de Caiado transforma o Judiciário em uma das pautas centrais de sua candidatura.

Caso seja eleito, o presidente terá a possibilidade de indicar quatro integrantes do Supremo durante o mandato. Como os nomes precisam ser aprovados pelo Senado, a composição do Congresso também será decisiva para o resultado desse processo.

Na prática, a eleição de 2026 poderá produzir efeitos que ultrapassem os quatro anos do próximo governo.

O eleitor estará escolhendo o presidente, mas também definindo a correlação política que poderá influenciar a formação da Corte responsável por julgar questões constitucionais de grande impacto nacional.

Por isso, a promessa de Caiado não pode ser reduzida à escolha de quatro mulheres.

Ela representa uma proposta de mudança na composição do STF, acompanhada de uma tentativa de redefinir os limites de atuação do Judiciário diante dos demais Poderes.

Ao colocar quatro novas indicações, reforma judicial e a atuação de Alexandre de Moraes no mesmo discurso, Caiado apresenta ao eleitor uma agenda clara: mudar não apenas quem estará no Supremo, mas a forma como ele pretende que a Corte exerça seu poder.

O “choque de realidade” defendido pelo candidato, portanto, é também uma mensagem eleitoral sobre o papel que ele pretende reservar ao STF em um eventual governo.