Secretaria vira moeda de negociação no tabuleiro de 2026
Nos jantares reservados e encontros da ”elite política” do Distrito Federal, um tema já circula com força nos bastidores da sucessão ao Palácio do Buriti: a possível criação da Secretaria da Criança e do Adolescente do Distrito Federal.
A proposta, segundo interlocutores, tem sido apresentada como uma das contrapartidas exigidas em futuras composições partidárias para a eleição de 2026. A movimentação ocorre apesar de a política pública voltada à proteção da infância e adolescência já possuir estrutura administrativa própria dentro da Secretaria de Justiça e Cidadania, por meio da Subsecretaria de Políticas para Crianças e Adolescentes (Subca).
Atualmente, a Subca coordena programas de proteção social, enfrentamento ao trabalho infantil, fortalecimento dos Conselhos Tutelares e ações voltadas à garantia dos direitos de crianças e adolescentes. A eventual transformação da estrutura em uma secretaria independente ampliaria o espaço político para indicações, cargos comissionados e orçamento próprio.
Nos bastidores, a discussão levanta um questionamento inevitável: a iniciativa nasce de uma necessidade administrativa comprovada ou da tradicional lógica de acomodação de aliados para fazerem política? Em um momento em que o discurso oficial prega eficiência, racionalização da máquina pública e controle de gastos, pela governadora Celina Leão, a criação de novas estruturas governamentais, em 2027, pelo candidato oposicionaista, se eleito, só demonstra sua política de sempre do toma-lá, dá cá.
Enquanto a corrida pelo Palácio do Buriti ainda está em fase de alinhamento de forças, uma certeza já emerge das conversas reservadas: a disputa de 2026 não será travada apenas nas urnas, mas também no loteamento antecipada dos espaços de poder.



