
A audiência pública realizada nesta terça-feira (9) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, convocada para discutir a situação financeira do Banco de Brasília (BRB), acabou se transformando também em um palco de demonstração política em favor da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).
Ao questionar o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, sobre os impactos da crise envolvendo operações ligadas ao Banco Master, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) fez questão de associar os esforços de recuperação da instituição à atuação da chefe do Executivo local.
“Minha governadora tem lutado para salvar o BRB”, afirmou a parlamentar durante a audiência.
A declaração ocorre em um momento de forte exposição política do banco e ganha relevância por partir de uma das principais lideranças conservadoras do Distrito Federal. Nos bastidores políticos, a fala foi interpretada como mais um sinal de alinhamento entre Damares e Celina, justamente quando o cenário para as eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos.
Discurso duro contra responsáveis
Ao longo da audiência, Damares adotou um dos discursos mais contundentes contra os envolvidos nas operações investigadas.
“Um dos responsáveis pela condução do banco já está preso, mas não podemos parar por aí. Quem ajudou a cavar esse rombo bilionário precisa prestar contas à Justiça. Eu quero ver o dinheiro recuperado e os culpados na cadeia”, declarou.
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A fala reforçou o tom predominante da sessão: a busca por responsabilização civil, administrativa e criminal daqueles que teriam participado das operações que provocaram perdas bilionárias ao banco público.
“Se o BRB quebra, não quebra só o DF”
A senadora também chamou atenção para a dimensão nacional da crise. Segundo ela, os riscos ultrapassam as fronteiras do Distrito Federal porque o BRB opera depósitos judiciais em diversas unidades da federação.
“Se o BRB quebra, não quebra só o DF”, alertou.
Em resposta, Nelson Antônio de Souza confirmou que a instituição administra cerca de R$ 30,6 bilhões em depósitos judiciais distribuídos por cinco estados, ressaltando que uma eventual liquidação teria repercussões muito além da capital do país.

Números ampliam preocupação
Durante a audiência, o presidente do BRB revelou que, dos aproximadamente R$ 30 bilhões movimentados nas operações envolvendo o Banco Master, R$ 21,9 bilhões permaneceram na instituição. Desse total, R$ 12,1 bilhões foram classificados como ativos problemáticos, irregulares ou de difícil recuperação.
Os números provocaram questionamentos de diversos senadores sobre a suficiência do empréstimo de R$ 6,6 bilhões obtido junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo Nelson de Souza, o plano de recuperação também prevê outros R$ 2,2 bilhões provenientes da securitização de créditos do Governo do Distrito Federal, além da recuperação judicial e administrativa de ativos considerados recuperáveis.
Debate expõe divergências
A audiência também evidenciou divergências sobre o futuro da instituição. O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) defendeu a venda do BRB, argumentando que governos estaduais e distritais deveriam concentrar esforços em áreas como educação, saúde e segurança pública.
Já Nelson de Souza sustentou que bancos públicos desempenham papel estratégico e participam da execução ou financiamento de dezenas de programas sociais.
A discussão se estendeu às garantias oferecidas para a operação de recuperação financeira e aos possíveis impactos sobre receitas futuras do Distrito Federal, tema que mobilizou parlamentares da bancada local.
Celina no centro da narrativa
Embora o foco formal da audiência fosse a situação financeira do BRB, a governadora Celina Leão acabou sendo inserida diretamente no debate político por meio das declarações de Damares Alves.
Ao atribuir à governadora protagonismo nos esforços para preservar a instituição, a senadora ajudou a consolidar uma narrativa que busca separar a atual gestão das decisões que levaram à crise, ao mesmo tempo em que reforça a imagem de enfrentamento aos responsáveis pelas irregularidades investigadas.
Com a investigação ainda em andamento, ações judiciais em preparação e a promessa de busca por ressarcimento bilionário, o caso BRB-Master permanece no centro das atenções políticas do Distrito Federal e deve continuar produzindo desdobramentos com potencial de impacto tanto financeiro quanto eleitoral.


