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sábado, julho 25, 2026
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Bastidor | Convite de Eduardo Bolsonaro a Milei para eventual posse de Flávio arranca sorriso discreto de Lula

Partido Liberal

Brasília — A convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República produziu um dos momentos mais comentados nos bastidores políticos deste sábado. Não foi apenas a presença do presidente argentino Javier Milei ao lado da família Bolsonaro que chamou atenção, mas a declaração do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro de que o líder argentino já estaria convidado para a cerimônia de posse do irmão, caso vença as eleições de 2026.

Segundo relatos de interlocutores do Palácio do Planalto, a notícia chegou rapidamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reação foi resumida em um sorriso discreto, interpretado por aliados como um gesto de quem enxerga excesso de confiança do adversário antes mesmo do início oficial da disputa eleitoral.

Nos corredores do governo, a avaliação predominante é que antecipar uma cerimônia de posse, convidando chefes de Estado para um evento condicionado a uma vitória nas urnas, transmite uma mensagem de que o resultado eleitoral seria tratado como praticamente consumado. Integrantes da base governista enxergam a estratégia como um movimento voltado à militância bolsonarista, reforçando a narrativa de inevitabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro.

Partido Liberal

Na convenção, Eduardo Bolsonaro elevou o tom ao afirmar que a eleição do irmão significaria a “liberdade” do ex-presidente Jair Bolsonaro e a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Também disse que Flávio terá a missão de enfrentar a esquerda e a criminalidade, pediu unidade do campo conservador e afirmou que o senador passa a ser alvo político, comparando sua situação à do presidente argentino Javier Milei.

Para auxiliares de Lula, entretanto, declarações dessa natureza tendem a reforçar temas que mobilizam a base bolsonarista, mas também oferecem ao governo espaço para sustentar o discurso de que a oposição pretende transformar a eleição presidencial em um plebiscito sobre processos judiciais e anistia, deslocando o debate de temas como economia, emprego e políticas públicas.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares observam que a antecipação de uma eventual posse ainda está distante da realidade eleitoral. Até lá, o país atravessará um longo calendário político, com formação de alianças, definição de chapas, campanha oficial e julgamento do eleitorado.

O sorriso de Lula foi interpretado por governistas como a reação de quem considera prematuro comemorar uma vitória antes que a disputa tenha efetivamente começado.