31.5 C
Brasília
segunda-feira, setembro 14, 2026
Início Destaques Agora Tem Especialistas prevê 37,5 mil procedimentos pelo SUS no DF em...

Agora Tem Especialistas prevê 37,5 mil procedimentos pelo SUS no DF em dois anos

Fila do SUS pode ganhar reforço de 37,5 mil procedimentos no DF.

Hospital de Ceilândia terá capacidade para realizar 2,6 mil cirurgias eletivas e quase 35 mil atendimentos ambulatoriais; pacientes serão encaminhados pela regulação do SUS

Uma nova frente de atendimento especializado poderá colocar 37.560 procedimentos à disposição dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal ao longo de 24 meses.

A oferta será executada pelo Hospital das Clínicas e Pronto-Socorro de Fraturas de Ceilândia dentro do programa federal Agora Tem Especialistas, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).

O plano prevê aproximadamente 34.960 procedimentos ambulatoriais e 2.600 cirurgias eletivas no período. A proposta tem impacto financeiro estimado em R$ 11.486.763,12.

O resultado potencial é significativo para uma das principais necessidades do sistema público de saúde: ampliar a capacidade de atendimento especializado e reduzir o tempo de espera por consultas, exames, diagnósticos e procedimentos cirúrgicos.

Mais de 1,5 mil procedimentos por mês

A matriz de oferta estabelece uma capacidade mensal de 1.565 procedimentos, sendo 1.457 atendimentos ambulatoriais e 108 cirurgias.

O valor mensal estimado da produção é de R$ 478.615,13, chegando aos R$ 11,48 milhões projetados para os 24 meses de execução.

A oferta não está concentrada em uma única área.

Na parte ambulatorial, estão previstos atendimentos de ortopedia, ginecologia, oncologia e cardiologia. A maior oferta é justamente em ortopedia, com avaliações diagnósticas utilizando recursos de radiologia e, em parte dos casos, tomografia computadorizada.

Também estão previstas avaliações diagnósticas relacionadas a câncer gástrico e colorretal, avaliações de risco cirúrgico e atendimentos voltados à saúde da mulher.

2,6 mil cirurgias eletivas

Na área cirúrgica, o plano prevê 108 cirurgias por mês, abrangendo procedimentos do aparelho digestivo, sistema osteomuscular e aparelho geniturinário.

Entre os procedimentos previstos estão:

  • colecistectomia videolaparoscópica;
  • hernioplastia umbilical;
  • reparo de rotura do manguito rotador;
  • tratamento cirúrgico de luxação recidivante;
  • reconstrução do ligamento cruzado anterior;
  • tratamento cirúrgico de hálux valgo;
  • retirada de placas e parafusos;
  • diferentes modalidades de histerectomia.

Em dois anos, a projeção chega a aproximadamente 2.600 cirurgias eletivas.

O paciente não escolhe a fila do hospital

Um dos pontos de maior relevância do acordo é que o atendimento não funciona como uma contratação convencional em que o paciente simplesmente procura o estabelecimento.

O termo de execução determina que as marcações de consultas, exames e procedimentos cirúrgicos deverão seguir as normas de acesso estabelecidas pelo Ministério da Saúde, cabendo ao gestor local regular as filas.

A SES-DF também é responsável pela regulação, controle e avaliação dos serviços, pela autorização dos procedimentos e pelo encaminhamento dos usuários do SUS ao hospital.

Na prática, a proposta amplia a capacidade disponível ao SUS sem retirar do poder público o controle sobre quem será atendido.

Atendimento gratuito

Outro ponto expressamente previsto no termo é que o atendimento pelo SUS é 100% gratuito.

O hospital fica responsável inclusive por responder por eventual cobrança indevida feita ao paciente ou a seu representante em razão dos serviços realizados no âmbito do programa.

O contrato também determina que os pacientes sejam atendidos com dignidade e de forma universal e igualitária, além de assegurar confidencialidade das informações e esclarecimento sobre seus direitos.

Uma mudança na forma de enfrentar a fila

O modelo tem um componente particularmente relevante.

O Agora Tem Especialistas criou um mecanismo pelo qual obrigações de ressarcimento ao SUS podem ser convertidas em prestação de serviços à população.

Segundo a apresentação submetida à análise da SES-DF, em vez de a operadora de plano de saúde quitar determinado débito exclusivamente em dinheiro, o mecanismo permite que a obrigação seja convertida em serviços, como cirurgias e exames destinados a pacientes que aguardam atendimento no SUS.

É uma mudança de lógica: um passivo que poderia permanecer sujeito a processos de cobrança passa a ser associado à entrega concreta de assistência à população.

O modelo prevê etapas de adesão, análise técnica, consulta aos entes federativos, formalização, execução e monitoramento.

Dinheiro condicionado à produção

O termo de execução estabelece que o faturamento será realizado com base na produção mensal registrada no Sistema de Informação do Conjunto Mínimo de Dados (CMD), integrado à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Depois da homologação dos serviços prestados ao SUS, o Fundo Nacional de Saúde emitirá o Certificado de Obrigação de Ressarcimento (COR) correspondente ao valor mensal dos serviços realizados.

Isso significa que o modelo está estruturado sobre a produção efetivamente registrada e homologada, e não apenas sobre uma previsão de atendimento.

Fiscalização e possibilidade de punição

A SES-DF também assumiu formalmente a fiscalização do contrato.

Os técnicos designados deverão acompanhar o cumprimento das cláusulas, a qualidade dos serviços, a legislação aplicável e o faturamento apresentado.

O contrato ainda prevê sanções caso o hospital deixe de cumprir a oferta pactuada.

Se houver inexecução ou execução inferior a 90% da prestação prevista por período superior a 90 dias, está prevista multa de 10% sobre o valor dos procedimentos previstos e não realizados. Em caso de execução inferior a 90% por período superior a 180 dias, poderá ocorrer a exclusão do programa.

Ceilândia no centro da ampliação da assistência

A iniciativa coloca um hospital localizado em Ceilândia como unidade participante de uma estratégia que busca aumentar a oferta de atendimento especializado para usuários do SUS.

O plano combina atendimento ambulatorial, diagnóstico e cirurgia, com destaque para a ortopedia — justamente uma das áreas de maior demanda por avaliação especializada e procedimentos eletivos.

A proposta, portanto, não se limita a ampliar o número de consultas. Ela cria uma cadeia assistencial que inclui avaliação, diagnóstico e tratamento cirúrgico, dentro dos fluxos de regulação do SUS.

O que está previsto

37.560 procedimentos em 24 meses
34.960 procedimentos ambulatoriais
2.600 cirurgias eletivas
1.565 procedimentos por mês
R$ 11,48 milhões de impacto financeiro estimado
100% dos atendimentos regulados pelo SUS

Mais do que um número financeiro, o programa representa uma tentativa de transformar capacidade instalada em atendimento efetivo para quem está esperando pelo SUS.

Se a execução alcançar as metas pactuadas, milhares de pacientes poderão deixar a fila e chegar ao diagnóstico ou ao tratamento em um prazo menor — exatamente o resultado que programas de ampliação da atenção especializada precisam entregar à população.