Início Destaques Economia bilionária em jogo: ocupação do Centrad expõe resistência de parlamentares ligados...

Economia bilionária em jogo: ocupação do Centrad expõe resistência de parlamentares ligados a empresas de terceirização contra Celina Leão

“Nós estamos dando um passo importante para reduzir gastos com aluguel no GDF. Hoje já temos a possibilidade concreta de ocupar esse espaço. A orientação é que as secretarias que hoje utilizam recursos públicos com aluguel sejam as primeiras a se instalar”, afirmou a governadora Celina Leão | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Economia do GDF gera reação: deputados ligados a empresas de segurança e limpeza se opõem ao Centrad

A decisão da governadora Celina Leão (PP) de iniciar a ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga, abriu uma nova frente de tensão nos bastidores da política distrital. Apresentada como uma medida de austeridade para reduzir despesas com aluguéis, segurança patrimonial, conservação e limpeza de imóveis espalhados pelo Distrito Federal, a iniciativa passou a enfrentar resistência de setores políticos que mantêm relação direta ou indireta com empresas prestadoras desses mesmos serviços ao Governo do Distrito Federal.

O anúncio foi feito no último dia 1º de junho, quando a governadora confirmou o início gradual da transferência de órgãos públicos para o complexo administrativo. A primeira pasta a iniciar a mudança será a Secretaria de Obras e Infraestrutura, seguida pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), Casa Civil e Casa Militar. O próprio gabinete da governadora também deverá ser instalado no local.

Com 182 mil metros quadrados de área construída, o Centrad foi concebido para concentrar diversos órgãos da administração pública em um único espaço. Durante anos, porém, o empreendimento permaneceu praticamente subutilizado em razão de disputas judiciais e impasses contratuais, tornando-se um dos maiores símbolos de desperdício de recursos públicos da história recente do DF.

Agora, a proposta do governo é justamente inverter essa lógica. Ao concentrar secretarias e estruturas administrativas em um único complexo, o GDF pretende reduzir despesas recorrentes com locação de imóveis, vigilância patrimonial, limpeza, manutenção predial e outras contratações fragmentadas atualmente distribuídas por dezenas de endereços.

Deputados distritais avaliam trocas partidárias de olho nas eleições 2026
CLDF – Legislatura Atual. Foto: S&DS montagem

Nos bastidores da Câmara Legislativa e também em setores da representação federal do Distrito Federal, a medida passou a gerar desconforto. Parlamentares identificados com segmentos empresariais que atuam nas áreas de segurança privada, conservação e limpeza vêm demonstrando resistência à estratégia de centralização administrativa adotada pelo Palácio do Buriti.

A avaliação de integrantes do governo é que a ocupação do Centrad tende a racionalizar contratos e reduzir a necessidade de estruturas duplicadas, o que inevitavelmente afeta interesses econômicos vinculados ao atual modelo de ocupação dispersa da máquina pública.

Oficialmente, os críticos da medida argumentam que o processo de transferência exige cautela, planejamento e avaliação dos custos de adaptação. Já interlocutores ligados ao governo sustentam que a resistência estaria relacionada ao impacto que a concentração dos órgãos públicos poderá provocar sobre contratos de prestação de serviços atualmente existentes.

Celina Leão tem defendido que a mudança ocorrerá sem grandes investimentos adicionais. Segundo a governadora, o mobiliário já utilizado pelas secretarias será reaproveitado, evitando novas aquisições e reduzindo custos de instalação. A chefe do Executivo também argumenta que a ocupação definitiva do Centrad representa a recuperação de um patrimônio público que permaneceu anos sem cumprir sua finalidade original.

Além da economia pretendida, o governo aposta em efeitos indiretos para a economia de Taguatinga, que deverá receber diariamente milhares de servidores, prestadores de serviços e cidadãos em busca de atendimento público.

O embate, entretanto, promete se intensificar à medida que a ocupação avance. Em um cenário de restrição fiscal e busca por eficiência administrativa, a disputa deixa de ser apenas sobre a mudança de endereço de órgãos públicos e passa a envolver interesses econômicos que orbitam há anos em torno da estrutura administrativa do Distrito Federal.

Nos corredores do poder, a pergunta que começa a circular é simples: a resistência ao Centrad decorre de preocupações legítimas com a gestão pública ou do receio de que a política de austeridade reduza contratos e receitas de setores historicamente beneficiados pela dispersão da máquina administrativa?