O que era para ser um movimento político calculado virou um ruído público dentro do próprio partido — e com potencial de desgaste eleitoral
A presidente regional do Partido Liberal no Distrito Federal, Bia Kicis, subiu o tom e praticamente desautorizou o senador Izalci Lucas ao afirmar que o PL não reconhece sua pré-candidatura ao Governo do DF. O recado foi direto: a iniciativa foi isolada, sem aval da cúpula e fora do rito interno da sigla.
A declaração expõe um racha que até então era tratado nos bastidores. Ao tornar público o descompasso, Kicis sinaliza que Izalci não apenas se antecipou — ele atropelou o partido.
“Não foi discutido. No PL, decisões são coletivas”, afirmou a dirigente, reforçando que o senador não fala em nome da legenda ao se lançar pré-candidato por conta própria.
O movimento de Izalci, que já vinha sendo divulgado nas redes sociais como fato consumado, provocou reação imediata e desconforto interno. A leitura dentro do partido é clara: houve tentativa de impor uma candidatura sem lastro político suficiente.
Enquanto isso, o PL se movimenta em outra direção. Nos bastidores, ganha força a tese de apoio à reeleição da governadora Celina Leão, filiada ao Progressistas. A estratégia indica pragmatismo eleitoral — abrir mão de cabeça de chapa para manter influência no governo.
O episódio coloca Izalci em uma posição delicada: isolado dentro do próprio partido e sem sinal verde para sustentar o discurso de pré-candidato. Mais do que uma divergência pontual, o caso escancara uma disputa interna por protagonismo e evidencia que, no atual tabuleiro político do DF, quem decide não é quem anuncia primeiro — é quem tem respaldo.
Nos próximos movimentos, o PL terá que escolher entre conter o desgaste ou aprofundar a crise. E Izalci, por sua vez, precisará provar que sua candidatura é mais do que um projeto pessoal — ou corre o risco de sair do jogo antes mesmo da largada.





