Ibaneis constrói UBS no Riacho Fundo II que vira destaque internacional

Por: Redação

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© Leonardo Finotti
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TRÊS BLOCOS COM PÁTIOS

A relação do lote – destinado para a UBS do Parque do Riacho -com o espaço urbano imediato foi bastante desafiadora: tanto por seu entorno fronteiriço a linhas de alta tensão e vias rápidas coletoras, como por seu dimensionamento – sendo o terreno quase cinco vezes maior que o tamanho do projeto construído. A parcela, de grandes proporções principalmente no sentido longitudinal, era de difícil adequação para um projeto de pequeno porte.

© Leonardo Finotti
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O projeto se apoiou, portanto, em uma estratégia com dois focos de qualificação: o externo (espaço urbano) e o interno (humanização funcional). No exterior existe um tecido urbano a espera de diálogo entre o longo eixo linear de habitação social, o entorno agrícola e os combinados agro urbanos anteriormente estabelecidos. Para isso, o projeto apostou em uma tipologia de três blocos retangulares deslocados, que delimitam e configuram a área externa e contém pátios mais reservados em seu interior. A estratégia ampliou a volumetria do edifício, permitindo ao projeto se apropriar das grandes dimensões do terreno, estabelecendo a legibilidade de sua relevância como equipamento público do bairro: receptivo e aberto a transformações no entorno.

“Para mim, os pátios são como espaços exteriores domesticados: neles você está em contato com a natureza, ouve o canto dos pássaros, sente o cheiro do campo depois das chuvas e pode olhar as estrelas à noite. Mas também são lugares que são protegidos de correntes de ar, isolados de ruídos. Em seus corredores você pode ficar enquanto chove. ” (HAGERMAN, Oscar. Oscar Hagerman. Monterrey: Quorum Design Library, 2006)

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A realização da edificação em blocos com níveis diferenciados entre eles facilitou a adaptação à variação topográfica do terreno, e a conexão dos mesmos através de rampas garantiu a acessibilidade universal. Dispondo ainda da reserva de uma área livre considerável de terreno, há espaço para planejamento no futuro: tanto de uma racional extensão modular como do uso do espaço aberto para outras atividades. Recentemente foi cogitada a criação de uma horta comunitária.

Isométrico
Isométrico

Por outro lado, os pátios internos induzem a uma atmosfera introspectiva, humanizando o ambiente físico hospitalar pela criação de um microcosmo de proteção e tranquilidade. Com sua escala humana os pátios se tornam espaços exteriores domesticados, sua função é trazer luz natural aos ambientes através de um paisagismo controlado. São espaços protegidos das intensas correntes de ar, sombreados, isolados dos ruídos exteriores e conectados com a natureza, além de conferirem ao projeto limites claros e facilitarem a setorização entre os blocos de atendimento. Mesmo tendo sido idealizada num período anterior a pandemia de Covid-19, a conexão dos pátios com as áreas de espera garante o arejamento necessário para os ambientes com maior concentração de pessoas. 

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A PRAÇA DE ACESSO 

O acesso à UBS se faz pelo lado Norte e aproveita da última extensão do passeio público (calçada) para conectá-lo à grande praça de entrada, reservando e isolando a área de mobilidade motorizada e estacionamento para o extremo da via. A grande praça de acesso acredita na intensificação do uso por pedestres e ciclistas, qualificando o equipamento de bairro como lugar de encontro (de provável uso intenso em dias de vacinação), conferindo identidade e frontalidade ao edifício público de uso comunitário.

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SETORIZAÇÃO 

Três blocos com seus pátios organizam as necessidades programáticas de acordo com a vocação de cada setor. 

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O bloco central, situado no extremo da praça de pedestres proposta, é o do acesso principal. Este é o espaço distribuidor das funções, pois a partir dele o público é conduzido para os outros blocos. Nesta ala o pátio assume uma função mais contemplativa, característica da formalidade de um espaço de recepção-informação, setor administrativo e auditório. Nele também se concentram serviços de apoio para os outros blocos, ou de atendimento mais direto ao público, como a farmácia e a vacinação.

Térreo
Térreo
Corte AA
Corte AA

No bloco mais afastado da rua se localiza a maior parcela do setor de atendimento clínico: triagem, consultórios e atendimento à mulher. Por ser o de maior concentração de público, o seu acesso é direto e suas esperas são divididas em dois setores. Seguindo o partido adotado, estes espaços foram sempre posicionados no lado transversal do bloco retangular, estando sempre abertos a um amplo pátio. Os consultórios acompanham o sentido longitudinal do bloco, ladeando a área central. A organização ao redor de pátios facilita a setorização, minimiza os conflitos funcionais entre os setores e garante uma ambiência acolhedora a todos os espaços.

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O bloco frontal, mais próximo ao estacionamento e à área de carga e descarga, incorpora os setores de apoio técnico e acesso de serviço. Neste bloco também está situado parte do setor de atendimento clínico: os consultórios odontológicos e seus espaços diretamente dependentes. Desta forma, a área de espera do público é um pouco mais reduzida.

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MATERIALIDADE E TECTÔNICA

O edifício é projetado visando a economicidade, a modularidade e a racionalidade construtiva. As lajes são suspensas do solo, os pilares são metálicos, e o sistema de cobertura estruturado por treliças metálicas. O fechamento externo se dá por placas pré-moldadas de concreto, elementos vazados pré-fabricados e esquadrias de estrutura metálica. O véu externo é de dupla camada: cobogós e vedações de vidros, cujo distanciamento entre camadas permite que o perímetro dos blocos sirva como galeria de controle térmico, bem como circulação interna entre consultórios e demais instalações. As vedações garantem uma homogeneidade de fachada e privacidade às alas de serviços. Os fechamentos internos são de dry-wall e conferem flexibilidade aos arranjos funcionais. A cobertura é em telha termo-acústica. A materialidade construtiva proposta visa a qualidade espacial e funcional necessária a uma Unidade Básica de Saúde, harmonizando física e sensorialmente com os usuários e pacientes.

© Leonardo Finotti
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ESTRUTURA 

O embasamento é formado por lajes de concreto armado moldadas “in loco” com um pequeno balanço perimetral permitido pelas vigas baldrame recuadas e situadas em cotas verticais acima do nível do solo. Esta elevação, além de ter papel importante no sistema passivo de conforto térmico da edificação, serve de apoio a um piso elevado que cria espaço técnico para as instalações – o que facilitará possíveis futuros arranjos internos. Rampas em lajes de concreto armado interligam os diferentes níveis do embasamento nos três blocos.

Corte construtivo
Corte construtivo

Sobre o embasamento nascem pilares em tubo de aço, contraventados entre eles, que serviram de apoio para as treliças planas da cobertura.  As treliças, econômicas e de fácil montagem, são constituídas de barras formadas pela associação de cantoneiras de aço e recebem os carregamentos das terças diretamente nos nós. O desenho das mesmas foi ajustado à variação do pé-direito sob o telhado de apenas uma água, esta voltada à uma calha externa perimetral de fácil acesso para a manutenção. 

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CONFORTO

A aparência simples do projeto abriga um coerente sistema de proteção ambiental. Pátios internos coletam a água pluvial que será utilizada para irrigação dos jardins dos pátios, fonte de ar fresco e úmido. Já a fachada dupla (externa) funciona como véu e frasco. Externamente, um véu: cobogós horizontais resfriam e difundem a luz natural. Mais internamente, um frasco: o pano de vidro preserva a umidade e bloqueia o ruído exterior. A ventilação noturna aproveita a amplitude térmica para refrigerar paredes e lajes. A ventilação diurna admite ar refrigerado e umidificado (refrigeração evaporativa passiva), à sombra das árvores e das águas do telhado. Tal sistema permite uma eficiente gestão de recursos, que dispensa o condicionamento artificial de ar.

© Leonardo Finotti
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