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sexta-feira, julho 31, 2026
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Mulher morre após ter 50% do intestino perfurado durante colonoscopia

Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, morreu após complicações registradas durante uma colonoscopia realizada em um hospital municipal da Zona Leste de São Paulo. O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Secretaria Municipal de Saúde.

Mulher de 41 anos morre após complicação durante colonoscopia em hospital de São Paulo; polícia investiga o caso

Mariana dos Santos Candido passou por cirurgia de emergência após perfuração intestinal durante exame de rotina. Hospital abriu sindicância e Polícia Civil aguarda laudo do IML para esclarecer a causa da morte.

Uma colonoscopia de rotina terminou em tragédia para a agente de organização escolar Mariana dos Santos Candido, de 41 anos. Ela morreu na quarta-feira (29), após sofrer uma grave complicação durante o exame realizado no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo.

Segundo a família, Mariana teve uma perfuração intestinal durante o procedimento, precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência, mas não resistiu às complicações. O caso é investigado pela Polícia Civil, enquanto a Secretaria Municipal de Saúde abriu uma sindicância para apurar as circunstâncias do atendimento.

A vítima havia realizado o exame por recomendação médica, devido ao histórico de câncer colorretal na família.

Última ligação revelou medo antes do exame

Na véspera da colonoscopia, Mariana telefonou para a tia, a professora Mara Aparecida, em uma conversa que se tornaria a despedida da família.

Segundo o relato da tia ao g1, a sobrinha disse apenas que faria o exame no dia seguinte, confessou estar com medo e encerrou a ligação dizendo: “Tia, eu te amo”.

Na manhã seguinte, ela foi submetida ao procedimento e apresentou uma intercorrência grave ainda durante o exame.

Família afirma que houve extensa lesão no intestino

De acordo com Mara Aparecida, a equipe médica informou aos familiares que a paciente sofreu uma extensa laceração intestinal durante a colonoscopia.

Segundo o relato da familiar, os médicos realizaram imediatamente uma cirurgia para reparar a lesão, porém Mariana não resistiu e morreu horas depois.

A informação sobre a extensão da lesão foi relatada pela família e deverá ser esclarecida pelas investigações e pelos laudos periciais.

Exame era preventivo por histórico de câncer

Ainda segundo a família, Mariana não apresentava doenças conhecidas e realizava a colonoscopia pela primeira vez.

O procedimento havia sido indicado porque o pai da paciente morreu vítima de câncer de intestino, motivo pelo qual os familiares passaram a realizar exames preventivos após os 40 anos.

Mariana morava com a mãe na região da Cohab I, na Zona Leste da capital paulista, e deixou três filhos, de 20, 15 e 9 anos, que criava sozinha.

Familiares afirmam que ela havia conquistado recentemente um emprego efetivo como agente de organização escolar na rede estadual de ensino e comemorava a nova fase da vida.

Hospital abriu sindicância

A Secretaria Municipal de Saúde informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso.

Segundo a pasta, a colonoscopia foi realizada pela Clínica de Endoscopia Salinas, empresa terceirizada responsável pelo serviço prestado dentro da unidade hospitalar há cerca de 25 anos.

Em nota oficial, a secretaria afirmou que lamenta profundamente a morte da paciente, informou que a investigação administrativa será rigorosa e declarou que a direção do hospital permanece à disposição da família.

Polícia aguarda laudo do IML

A Polícia Civil registrou a ocorrência como morte suspeita e morte acidental.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), que realizará o exame necroscópico para determinar a causa da morte e verificar se houve eventual falha durante o procedimento médico.

Os resultados da perícia deverão subsidiar tanto a investigação policial quanto a sindicância administrativa aberta pela Secretaria Municipal de Saúde.

Colonoscopia é considerada um exame seguro

A colonoscopia é considerada o principal exame para prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal. O procedimento permite visualizar o intestino grosso e a parte final do intestino delgado, além de possibilitar a retirada de pólipos antes que evoluam para câncer.

Embora seja considerado seguro e realizado diariamente em milhares de pacientes, complicações podem ocorrer em situações raras. Entre elas estão sangramento, reações à sedação e perfuração intestinal, especialmente durante procedimentos terapêuticos ou em pacientes com fatores de risco específicos.

Especialistas destacam que esses eventos são incomuns e que os benefícios da colonoscopia para a prevenção do câncer continuam superando amplamente os riscos do procedimento.

As circunstâncias da morte de Mariana dos Santos Candido serão esclarecidas pelas investigações da Polícia Civil, pela sindicância da Secretaria Municipal de Saúde e pelos laudos técnicos que ainda serão concluídos.