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domingo, julho 26, 2026
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Caiado oficializa candidatura ao Planalto e deve levar disputa presidencial para o segundo turno

Candidato do PSD criticou a polarização, ressaltou foco na segurança pública e provocou Lula a comparecer em debates.

O PSD oficializou neste domingo (26) a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República, consolidando a entrada de uma terceira via na disputa nacional. Em seu primeiro discurso como candidato do partido, Caiado adotou um tom de confronto direto contra os dois principais polos da corrida eleitoral, fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e buscou apresentar sua experiência administrativa em Goiás como credencial para romper a polarização política.

A convenção nacional do PSD, realizada na capital paulista, também confirmou o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente, formando uma chapa considerada “puro-sangue” pelo partido.

Embora apareça distante dos líderes na mais recente pesquisa Datafolha — com 4% das intenções de voto, contra 40% de Lula e 32% de Flávio Bolsonaro —, Caiado utilizou o evento para se apresentar como a alternativa de centro-direita capaz de disputar espaço entre os dois favoritos.

Discurso centrado na rejeição dos adversários

Ao longo de mais de uma hora de pronunciamento, Caiado construiu sua narrativa explorando o desgaste político dos dois principais concorrentes. Sem citar inicialmente os nomes, afirmou que um dos adversários permaneceu cerca de duas décadas no poder sem melhorar a posição econômica do país, enquanto o outro seria herdeiro político de um ex-presidente que não conseguiu a reeleição e acumularia uma trajetória marcada por controvérsias.

Na sequência, elevou o tom e passou a mencionar diretamente Lula, associando o governo petista a episódios históricos de corrupção e acusando o presidente de manter uma postura complacente diante da criminalidade.

Em outro momento, também direcionou ataques ao candidato do PL. Sem citá-lo inicialmente, ironizou sua dependência política do pai antes de compará-lo a um “frango de granja”, em contraposição à própria imagem, definida por ele como a de um “galo de terreiro”, acostumado a enfrentar disputas políticas sem tutela.

A declaração faz referência ao episódio em que Flávio Bolsonaro leu, durante sua convenção partidária, uma carta enviada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro endossando sua candidatura.

Convite ao confronto eleitoral

Caiado também procurou transformar os debates eleitorais em um dos eixos centrais de sua campanha.

Ao afirmar que o presidente Lula estaria evitando confrontos públicos com adversários, desafiou o petista a comparecer aos encontros previstos durante a campanha, afirmando estar preparado para discutir propostas e defender sua trajetória administrativa.

A estratégia evidencia a tentativa do candidato do PSD de ampliar sua exposição nacional diante de um cenário eleitoral fortemente concentrado entre os dois primeiros colocados nas pesquisas.

Segurança pública como principal vitrine

A maior parte do discurso foi dedicada à defesa dos resultados obtidos durante seus dois mandatos como governador de Goiás (2019-2026), especialmente na área de segurança pública.

Caiado afirmou que pretende levar para o governo federal o modelo adotado no sistema prisional goiano, destacando medidas como monitoramento integral de presos ligados a facções criminosas, restrições a visitas íntimas e endurecimento das regras penitenciárias.

Segundo o candidato, essas ações contribuíram para reduzir os índices de criminalidade no estado.

“O modelo de Goiás pode ser implantado em todo o país”, sustentou, ao prometer uma política nacional de enfrentamento ao crime organizado.

Gestão social e educação entram no discurso

Além da segurança, o ex-governador destacou indicadores sociais de Goiás, afirmando que o estado passou a disputar as primeiras posições nacionais na redução da pobreza extrema.

Na área educacional, afirmou que os investimentos em alimentação escolar, uniformes, material didático e infraestrutura contribuíram para reduzir a evasão escolar e aumentar a permanência dos estudantes nas salas de aula.

Caiado também apresentou uma proposta voltada ao combate à violência contra a mulher. Caso eleito, prometeu encaminhar uma legislação para permitir o confisco dos bens de condenados por feminicídio ou outros crimes graves contra mulheres, destinando esse patrimônio às vítimas ou às suas famílias.

Discurso de experiência administrativa

Ao apresentar sua candidatura, Caiado procurou diferenciar sua trajetória da dos principais adversários, afirmando nunca ter sido alvo de escândalos de corrupção e defendendo que sua experiência como governador o credencia para comandar o país.

O candidato também afirmou que pretende recuperar a credibilidade das instituições públicas, argumentando que Executivo, Legislativo e Judiciário enfrentam uma crise de confiança da população.

PSD aposta em candidatura própria

A oficialização da chapa representa a consolidação de uma estratégia construída pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que desde 2022 defendia a apresentação de um projeto presidencial próprio.

Inicialmente, a legenda avaliou nomes como Ratinho Júnior (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado para liderar o projeto. Com a desistência de Ratinho Júnior da disputa nacional, Caiado tornou-se o principal nome da sigla para representar o partido na eleição presidencial.

Mesmo largando com apenas 4% das intenções de voto, segundo o Datafolha, o PSD aposta que o tempo de campanha, a estrutura partidária nacional e a experiência administrativa do ex-governador poderão ampliar seu espaço eleitoral nos próximos meses.