
Decisão do Tribunal de Contas vai definir se militares desligados da corporação podem receber indenização por licença especial não utilizada
Uma consulta feita pela comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal [PMDF] ao Tribunal de Contas do Distrito Federal [TCDF] abriu um debate sensível sobre o uso de recursos públicos: policiais militares expulsos, demitidos ou licenciados podem receber em dinheiro a licença especial que não foi utilizada durante a carreira?
O questionamento foi formalizado no Processo nº 00600-00015032/2025-06-e e resultou na Decisão nº 515/2026, em que o tribunal decidiu, por unanimidade, aceitar a consulta e iniciar a análise técnica do tema.
A discussão envolve a chamada licença especial [LE] — um benefício concedido após determinado período de serviço, que permite ao militar se afastar temporariamente com remuneração. Quando essa licença não é utilizada, surge a dúvida jurídica: o benefício pode ser convertido em indenização financeira no momento do desligamento da corporação?
O ponto mais controverso é que a consulta inclui casos de demissão, licenciamento e exclusão a bem da disciplina, situações em que o policial deixa a corporação por razões administrativas ou disciplinares.
Debate sobre direito adquirido
A questão central que será analisada pelo tribunal é se o policial militar que já completou o período necessário para obter a licença especial antes de deixar a corporação mantém o chamado direito adquirido ao benefício.
Em diversas decisões judiciais envolvendo servidores públicos, tribunais têm entendido que licenças não gozadas podem ser convertidas em dinheiro quando o servidor se desliga da administração, especialmente em aposentadorias.
No entanto, o caso de desligamento disciplinar levanta controvérsias, já que parte dos especialistas sustenta que a perda do vínculo funcional poderia impedir o pagamento da indenização.
Processo ainda não teve decisão final
Na decisão publicada, o TCDF não respondeu diretamente à pergunta da PMDF. O tribunal apenas confirmou que a consulta cumpre os requisitos previstos na Lei Complementar Distrital nº 1 de 1994 e determinou que o processo seja analisado por instâncias técnicas da Corte.
O caso foi encaminhado para:
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Comissão de Regimento e Jurisprudência do TCDF, responsável por analisar precedentes;
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Secretaria de Fiscalização de Pessoal, que fará estudo técnico sobre o impacto e a legalidade do pagamento.
Somente após essas análises o tribunal deverá emitir uma orientação oficial sobre o tema.
Possível impacto financeiro
Dependendo da interpretação que venha a ser adotada, a decisão pode abrir caminho para indenizações administrativas a policiais militares que deixaram a corporação sem usufruir da licença especial, inclusive em casos de desligamento disciplinar.
Isso pode gerar impacto financeiro para os cofres públicos, caso militares desligados passem a reivindicar o pagamento retroativo do benefício.
Por esse motivo, a decisão final do TCDF é aguardada com atenção por especialistas em direito administrativo, gestores públicos e integrantes das forças de segurança.



