Elegeremos metade do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e Distritais e ainda faremos parte no STF com nossos corpos negros

Barack Obama presidente dos EUA

Certamente lhe soou estranho. Mas estranha é a reação negra e branca em achar que os descendentes dos primogênitos do berço da nação continuarão, por mais algumas eleições, subservientes elegendo a dinastia branca repetidas vezes no comando dos poderes da nação. 

Seremos mais ousados que os norte-americanos que elegeram Barack Obama como o primeiro presidente negro. Elegeremos a paridade em todos os poderes constituídos.

Não resta dúvida de que nos próximos trinta ou quarenta anos um negro poderá atingir a mesma posição de meu irmão como presidente dos Estados Unidos.  Robert F. Kennedy, 27 de maio de 1961, na Voz da América.

Como faremos das palavras de Robert F. Kennedy nossa profecia para o Brasil? Recusando-nos a seguir o “script” do branco como salvador do povo negro. Só nós poderemos mudar a nossa própria história.

Mesmo sendo mais de 50% da população brasileira, segundo o Censo de 2010, os negros e pardos são minoria no Congresso Nacional, representando menos de 10% do total de deputados federais. Dos 513 deputados federais, somente 43 se reconhecem como negros. Dos 81 senadores, apenas dois são negros ou pardos.

No Supremo Tribunal Federal (STF), a exclusão é mais gritante ainda, dos 11 ministros que compõem a corte suprema, nenhum se declarou como negro ou pardo.  

Recentemente fui convidado para fazer parte da equipe de apresentação de um pré-candidato a governador aqui de Brasília, com um cache bastante atrativo. Por que não a inversão deste fato? Isso diminuiria a imagem de um não negro em apoiar um negro? 

E por que sempre explorar esta máxima da imagem dos negros (as) quando lhes convém a perpetuação no poder.

Eu sou um homem livre, recusei o atrativo cache por uma única razão – dignidade – e assim penso que devemos agir sobre a imposição branca através da escalada financeira sobre nossas imagens, cultura e tradições.   

Quero desafiar a todos não brancos e brancos a lutarmos juntos contra o que se fez e permanece no poder, lutando na construção plural e verdadeira de uma nação livre.

 

Ivan Rodrigues é enfermeiro e blogueiro.

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