Deus está morto, e, eu, ainda vivo

Por: Ivan Rodrigues

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Alcides do Nascimento Lins filho de uma ex-catadora de material reciclável, foi aprovado na UFPE em primeiro lugar. Assassinado em 2010.

Este mês, maio de 2015 fiz 39 anos vivo. Alguns amigos, completaram 27, 37 e 40 anos mortos pelo destino lhes impostos por Deus da aquarela humana.

Ganhei algumas camisas número “M” que terei que trocar por “G”, opção que tenho de fazer ou não fazer a troca.

Recente relatório – Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014, da Unesco, em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República, afirma que jovens negros no Brasil tem 2,5 vezes mais chance de morrerem de homicídio que um branco.

O Deus da aquarela humana não deu a opção de troca da cor da pele, face as mortes dos negros em razão dela.

Se estamos 2,5 vezes mais vulneráveis ao homicídio que os brancos, a lógica aritmética de minha vida é que eu, esteja fazendo 97,5 anos vivo no Brasil.

A mortalidade de jovens negros no DF é 6,5 vezes maior que a de brancos, então minha idade viva em Brasília é de 253,5 anos vivo.

Nestas aritméticas acima, só posso concluir que somos descendentes de Matusalém.

(1 dia x 2,5 ou 6,5 chance de sofrer homicídio x 365 dias anos + números de abordagens policiais² = menos expectativa de vida).

A lógica do relatório da Unesco em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República é inversa, vivemos 2,5 ou 6,5…mais que os brancos no Brasil.

Jamais sonhei em viver meus 97,5 ou 253,5 anos de velhice tão jovem.

Deus! Não sinto orgulho por ter ficado de fora desta estatística mórbida.

Em homenagem a Alcides do Nascimento Lins.

Comentários

  • JORGE MARANHÃO disse:

    “Quando é que um comentário sobre uma religião é apenas a expressão de uma opinião e passa a ser um grave desrespeito a alguém?”
    Parabéns Ivan! Não deixe de se expressar, de expor suas opiniões ou mesmo de denunciar delitos pelo medo das consequências, como recriminações, retaliações ou ações judiciais.