O governo da Espanha declarou emergência nacional na noite desta sexta-feira (24) diante do avanço de uma série de incêndios florestais que já obrigou mais de 10 mil pessoas a deixarem suas casas e ameaça comunidades na região de Madri e em outras áreas do país.
A medida coloca a resposta aos incêndios sob a autoridade direta do ministro do Interior, responsável pela coordenação das ações de emergência. Segundo as autoridades, é a primeira vez que o governo espanhol recorre a esse mecanismo de emergência nacional em razão de incêndios florestais.
A situação levou o governo regional de Madri a solicitar assistência às autoridades centrais e a classificar o cenário como de “extrema gravidade”. Entre os focos mais preocupantes estão os incêndios em Villa del Prado e San Martín de Valdeiglesias, na região de Madri, além do fogo em Almorox, na vizinha Castela-La Mancha.
As autoridades também alertaram para o risco de que o incêndio florestal registrado em Burgohondo, na província de Ávila, avance em direção à região de Madri nas próximas horas. As condições meteorológicas podem favorecer a rápida propagação das chamas.
As evacuações atingiram moradores de Villa del Prado, San Martín de Valdeiglesias, Pelayos de la Presa e Aldea del Fresno. Ao todo, mais de 10 mil pessoas foram retiradas das áreas consideradas de risco, segundo o governo regional.
Mais de 270 profissionais de emergência e 40 unidades terrestres foram mobilizados para combater as chamas nas áreas afetadas. Equipes da Unidade Militar de Emergência (UME), força especializada das Forças Armadas espanholas para atuar em grandes catástrofes, também foram deslocadas para reforçar as operações.
Espanha enfrenta uma das temporadas mais graves
A emergência ocorre em meio a uma temporada de incêndios particularmente severa na Espanha. Mais de 100 mil hectares já foram queimados no país em 2026, área equivalente, aproximadamente, à média anual registrada na última década.
Ao menos 13 pessoas morreram em decorrência dos incêndios, fazendo de 2026 uma das temporadas mais letais das últimas décadas.
A Espanha e outras partes do sul da Europa vêm enfrentando temporadas de incêndios florestais cada vez mais intensas. Cientistas associam o agravamento do risco às mudanças climáticas, que contribuem para períodos de calor extremo e condições mais favoráveis à propagação das chamas.
Neste ano, a combinação de chuvas de primavera excepcionalmente intensas e temperaturas elevadas durante o verão contribuiu para o crescimento e posterior ressecamento da vegetação. Com o solo e a cobertura vegetal mais secos, áreas que acumularam biomassa passaram a funcionar como combustível para incêndios capazes de avançar rapidamente.
A declaração de emergência nacional sinaliza a dimensão da crise enfrentada pela Espanha e amplia a capacidade de coordenação do governo central diante de uma temporada marcada por grandes áreas queimadas, evacuações em massa e mortes.





