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Lula culpa Ibaneis pelo BRB, mas ataca Celina: por onde anda o ex-governador?

PT - Partido dos Trabalhadores

Lula aponta Ibaneis pela crise do BRB, mas ataca Celina: por onde anda o ex-governador?

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Tetiana Dolganova

Presidente atribui ao ex-governador e a Daniel Vorcaro a origem da crise, mas direciona críticas à atual governadora; operações investigadas ocorreram durante a gestão anterior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformou a crise do Banco de Brasília (BRB) em um dos principais temas de seu discurso durante o ato de campanha realizado nesta quarta-feira (16), em Ceilândia.

Ao falar sobre a situação financeira do banco, Lula afirmou que a União não pretende destinar dinheiro federal para socorrer o BRB e fez duras críticas à governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição.

Mas uma parte da declaração presidencial chama atenção: o próprio Lula atribuiu a origem da crise à relação entre o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

“Quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro, do Banco Master”, afirmou Lula durante o comício.

A declaração foi feita em meio à disputa eleitoral de 2026 e, portanto, deve ser compreendida como uma acusação política do presidente — não como uma conclusão judicial sobre eventual responsabilidade individual de Ibaneis Rocha.

A cronologia importa

As operações que estão no centro da atual crise do BRB foram realizadas entre 2024 e 2025, período em que Ibaneis Rocha comandava o Governo do Distrito Federal e Celina Leão ocupava a vice-governadoria.

A Polícia Federal investiga possíveis irregularidades em operações envolvendo o BRB e o Banco Master. Segundo informações divulgadas pela investigação, foram identificados indícios de irregularidades em transações bilionárias realizadas nesse período.

A própria crise financeira do BRB é hoje objeto de diferentes medidas de recuperação e apuração. O Governo do Distrito Federal criou uma comissão especial para identificar ativos, buscar ressarcimentos e colaborar com as autoridades responsáveis pelas investigações.

Portanto, há uma distinção que não pode ser ignorada:

as operações que estão na origem da crise investigada ocorreram durante a gestão anterior; a atual administração passou a lidar com os seus desdobramentos.

Isso, por si só, não determina a responsabilidade individual de nenhum agente público. Essa definição depende das investigações, dos documentos e das decisões das autoridades competentes.

Se Lula aponta Ibaneis, por que o ataque é contra Celina?

É justamente nesse ponto que o discurso de Lula abre uma questão política.

O presidente atacou diretamente Celina Leão, chamando-a de “cínica e mentirosa”, ao mesmo tempo em que afirmou que a ligação entre Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro estaria na origem dos problemas do BRB.

A pergunta, portanto, não é sobre absolver ou condenar antecipadamente ninguém.

É sobre cronologia e responsabilidade política.

Se o próprio presidente da República aponta para a relação entre o ex-governador e o ex-controlador do Banco Master como elemento central para explicar a crise, é legítimo perguntar:

por que a principal cobrança política está sendo dirigida à atual governadora?

Celina precisa responder pelos atos de sua própria administração e por aquilo que eventualmente venha a ser demonstrado pelas investigações. Mas as decisões tomadas no período anterior também precisam ser explicadas por quem tinha responsabilidade pelo governo naquele momento.

O passivo chegou ao governo atual

O BRB enfrenta atualmente uma crise de capital e liquidez relacionada às operações realizadas com o Banco Master. O Governo do Distrito Federal busca uma solução financeira para recompor a capacidade da instituição, incluindo uma operação de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), cuja estrutura depende de garantias e de decisões ainda em discussão.

Enquanto isso, o governo criou mecanismos para tentar recuperar ativos e reduzir os prejuízos associados às operações investigadas.

A situação, portanto, não pode ser reduzida a uma simples disputa entre Lula e Celina.

O que está em jogo é o patrimônio de uma instituição financeira controlada pelo Distrito Federal e, consequentemente, interesses de milhões de brasilienses.

E por falar em ataques: por onde anda Ibaneis?

 

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A pergunta é inevitável diante da própria declaração de Lula.

Se o presidente afirma publicamente que a ligação entre Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro está na origem da crise do BRB, por onde anda o ex-governador diante de tudo isso?

Não se trata de afirmar que Ibaneis seja culpado por qualquer crime. Até o momento, segundo levantamento publicado pelo Correio Braziliense, ele não responde a ação relacionada ao caso BRB-Master.

Trata-se de outra coisa: explicar politicamente as decisões tomadas durante o período em que esteve à frente do Governo do Distrito Federal.

Quem autorizou?

Quem acompanhou?

Quem foi informado?

Quais mecanismos de controle foram utilizados?

E por que operações de tamanha dimensão chegaram ao ponto em que chegaram?

São perguntas que não pertencem a um partido político. Pertencem à sociedade.

O BRB não pode ser apenas instrumento de palanque

A crise do BRB exige investigação, transparência e responsabilização de quem eventualmente tiver cometido irregularidades.

Mas responsabilização não pode ser confundida com acusação eleitoral.

Se houver responsabilidade de agentes públicos, que ela seja demonstrada pelas provas e pelos órgãos competentes.

Se houver falhas de gestão, que sejam identificadas.

Se houver prejuízos causados por operações irregulares, que os responsáveis sejam chamados a responder.

E, se o próprio presidente Lula atribui publicamente a origem da crise à relação entre Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro, também é razoável que o ex-governador seja chamado a explicar sua participação política e administrativa no período em que essas operações foram realizadas.

No fim, a pergunta permanece:

se a crise começou em operações realizadas durante a gestão anterior, por que a conta política está sendo apresentada principalmente à governadora que hoje tenta administrar seus desdobramentos?

A resposta não deve vir de palanques. Deve vir dos fatos, dos documentos e das investigações.