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Celina não fará retaliação com integrantes do MDB, mas não se pode servir a dois senhores na política

Ibaneis Rocha e Celina Leão
Foto de Ahmed Hammouda na Unsplash

A crise política entre a governadora Celina Leão e o ex-governador Ibaneis Rocha ganhou contornos de rompimento definitivo nos bastidores do poder em Brasília. Embora interlocutores do Palácio do Buriti afirmem que não haverá uma operação imediata de retaliação contra quadros ligados ao MDB dentro do governo, a realidade política aponta para uma máxima antiga e implacável: não se pode servir a dois senhores na política.

O desgaste veio à tona após Ibaneis publicar um vídeo nas redes sociais afirmando que teve “muitas decepções” com Celina Leão, sua antiga vice-governadora e sucessora no comando do Distrito Federal. O ex-governador afirmou que confiou na aliada para dar continuidade ao projeto político construído ao longo de seus dois mandatos, mas indicou frustração com decisões recentes tomadas pela atual chefe do Executivo.

A resposta de Celina foi igualmente carregada de simbolismo político. Ao declarar que “sucessão nunca será submissão”, a governadora deixou claro que não pretende governar sob tutela política de Ibaneis. Também citou a crise enfrentada pelo Banco de Brasília e afirmou que precisou adotar medidas que desagradaram parte do grupo político.

Nos corredores do Buriti, a avaliação é de que Celina evitará movimentos bruscos neste primeiro momento para não ampliar a crise com o MDB. A estratégia seria manter a estabilidade administrativa e evitar transformar o racha político em conflito institucional aberto. Ainda assim, o ambiente interno já mudou.

Integrantes do MDB que ocupam espaços estratégicos no governo sabem que a pressão política tende a aumentar à medida que o calendário eleitoral avança. A leitura predominante é que chegará o momento em que será necessário escolher entre a fidelidade ao grupo político de Ibaneis ou o alinhamento integral ao projeto de poder de Celina Leão.

O episódio também escancara uma disputa silenciosa pelo controle do espólio político da direita no Distrito Federal. Ibaneis trabalha sua candidatura ao Senado, enquanto Celina busca consolidar independência e musculatura própria para disputar a reeleição sem a sombra permanente do antecessor.

Em Brasília, rompimentos raramente começam com exonerações públicas ou declarações explosivas. Eles costumam nascer em sinais sutis, frases calculadas e recados indiretos. E, neste momento, a mensagem dentro da base governista parece cada vez mais clara: a convivência ainda existe, mas a confiança política já não é mais a mesma.