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Projeção para a CLDF em 2026 aponta disputa acirrada por 24 cadeiras entre 11 partidos e federações

Das 33 CPIs propostas na CLDF desde sua criação, 4 foram relacionadas à saúde
Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Simulação para a Câmara Legislativa do DF projeta MDB na liderança, com quatro cadeiras, e aponta equilíbrio entre PL, União Progressista, Republicanos e PSD

Da Redação

A corrida por uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) começa a ganhar contornos mais definidos a partir de uma projeção que considera as regras do sistema proporcional e a composição de 24 vagas da Casa.

A simulação aponta uma disputa pulverizada, mas com concentração das cadeiras em um grupo restrito de partidos e federações. Pelo cenário projetado, 11 forças políticas conseguiriam eleger ao menos um deputado distrital, enquanto outras oito terminariam sem representação.

O MDB aparece como a maior bancada projetada, com quatro cadeiras. Na sequência, PL, União Progressista, Republicanos e PSD aparecem com três vagas cada. A projeção ainda reserva duas cadeiras para o PT e uma para PSB, PSOL, DC, Avante, Mobiliza e PDT.

No cálculo apresentado por diversos cientistas políticos ao S&DS, as 24 cadeiras da CLDF ficam assim distribuídas:

Partido/Federação Projeção de cadeiras
MDB 4
PL 3
União Progressista (PP/União) 3
Republicanos 3
PSD 3
PT 2
PSB 1
PSOL/Rede 1
DC 1
Avante 1
Mobiliza 1
PDT 1
Agir 0
Novo 0
UP 0
Missão 0
PSTU 0
Podemos 0
Renovação Solidária (PRD/Solidariedade) 0

Total: 24 cadeiras.

MDB larga na frente na projeção

 

O MDB é a única legenda a alcançar quatro cadeiras na simulação. O resultado coloca o partido em posição privilegiada na formação da próxima legislatura e o mantém entre as principais forças da política distrital.

A segunda faixa da disputa é formada por PL, União Progressista, Republicanos e PSD, cada qual com três cadeiras projetadas.

A União Progressista merece uma observação: PP e União Brasil não devem ser tratados isoladamente na distribuição proporcional, pois o TSE aprovou em março de 2026 a federação que reúne as duas siglas. Na eleição proporcional, os votos da federação são considerados conjuntamente para efeito da distribuição das vagas.

A matemática que pode mudar a composição da CLDF

A projeção não pode ser interpretada simplesmente como uma soma de votos individuais dos candidatos.

Na eleição proporcional, o primeiro passo é determinar o quociente eleitoral (QE), obtido pela divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras em disputa. No caso da CLDF, são 24 vagas.

Em seguida, os votos destinados a cada partido ou federação são utilizados para calcular o quociente partidário, que define inicialmente quantas cadeiras cabem a cada força.

“É justamente nesse ponto que uma chapa eleitoralmente organizada pode fazer diferença” aponta a cientista política Raquel Arraes – UnB.

Uma legenda pode não possuir o candidato mais votado individualmente da eleição e, ainda assim, conquistar uma cadeira em razão do desempenho coletivo da sua chapa. Da mesma forma, uma candidatura com votação expressiva pode não ser suficiente para garantir uma vaga se a estrutura partidária não alcançar o desempenho necessário nas etapas de distribuição, ressaltou.

O peso das sobras

Depois da distribuição inicial, entram em cena as chamadas sobras eleitorais.

A legislação estabelece uma primeira etapa na qual participam partidos e federações que tenham alcançado pelo menos 80% do quociente eleitoral e possuam candidato com votação nominal mínima correspondente a 20% do QE.

Depois dessa etapa, as cadeiras que ainda estiverem disponíveis são distribuídas entre todos os partidos e federações que participaram da eleição, sem a exigência desses percentuais mínimos para a distribuição subsequente.

É esse mecanismo que ajuda a explicar os números acompanhados de “+1” na projeção.

Na simulação, PL, União Progressista, Republicanos, PSD e PT alcançam, respectivamente, 3, 3, 3, 3 e 2 cadeiras, com parte dessas vagas projetada a partir da dinâmica das sobras.

Quem pode ficar sem cadeira

O cenário também mostra o outro lado da matemática eleitoral.

Agir, Novo, UP, Missão, PSTU, Podemos e Renovação Solidária (PRD/Solidariedade) aparecem sem cadeira na projeção, feito pelos analistas.

O resultado não significa necessariamente que essas siglas não tenham candidatos competitivos. O problema é estrutural: em uma eleição proporcional, votação concentrada em poucos candidatos pode não ser suficiente para produzir representação partidária.

No caso das federações, a análise precisa ser ainda mais cuidadosa. PRD e Solidariedade, por exemplo, integram a Federação Renovação Solidária, registrada pelo TSE em dezembro de 2025. Seus votos são tratados conjuntamente na disputa proporcional.

O mesmo raciocínio vale para o PSOL/Rede e para o PT dentro da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Portanto, uma leitura estritamente baseada na sigla do candidato pode esconder a verdadeira força eleitoral da chapa.

A disputa não é apenas por votos — é pelo desenho da chapa

A projeção evidencia uma característica fundamental das eleições para deputado distrital: a eleição começa antes da urna.

A montagem das chapas, a distribuição dos candidatos por regiões administrativas, a capacidade de produzir votos de legenda e nominais e a existência de candidaturas com potencial para alcançar os percentuais exigidos pelas regras das sobras podem alterar significativamente o resultado final.

Em uma Câmara com apenas 24 cadeiras, diferenças relativamente pequenas na votação total de determinadas legendas podem representar uma cadeira a mais ou a menos.

Por isso, o número mais importante para os partidos não é apenas a votação do candidato considerado favorito.

É o voto total da chapa.

Projeção mostra cenário aberto para 2026

A fotografia atual aponta uma CLDF com MDB, PL, União Progressista, Republicanos e PSD ocupando o centro da disputa proporcional, enquanto PT aparece com duas cadeiras projetadas e um grupo de partidos disputa as vagas restantes.

Mas a eleição proporcional não está determinada por pesquisas majoritárias nem pela força isolada dos candidatos.

A composição definitiva dependerá dos votos válidos, do quociente eleitoral, do desempenho de cada partido ou federação, das cadeiras conquistadas pelo quociente partidário e, sobretudo, da distribuição das sobras conforme as regras vigentes do Tribunal Superior Eleitoral.

Em outras palavras, para saber quem estará na próxima CLDF, não basta contar os candidatos competitivos. É preciso fazer a conta da chapa.

A projeção considera as 24 cadeiras atualmente destinadas à Câmara Legislativa do Distrito Federal e deve ser entendida como cenário eleitoral, não como resultado definitivo. O TSE mantém página específica com legislação, informações e sistemas relativos às Eleições 2026.