Ex-governador procura vice, testa nomes e começa a enfrentar a parte mais difícil de uma candidatura: encontrar quem aceite dividir com ele o risco de 2026
José Roberto Arruda está procurando um vice. O problema é que, até agora, os nomes sondados parecem mais interessados em preservar seus próprios projetos do que em embarcar no dele.
A primeira tentativa foi Kiko Caputo. Durante um almoço no Fortunata, no Lago Sul, segundo o portal Fatos On-line Caputo recebeu uma ligação do ex-governador. Depois de uma brincadeira sobre quem seria o “gatinho da Damaris”, Arruda mudou o tom e fez a pergunta que interessava: já havia pensado em formar uma chapa com ele para o Governo do Distrito Federal?
Caputo não disse exatamente não. Disse que precisava consultar o Novo. A resposta, porém, produziu quase o mesmo efeito prático de uma negativa. O empresário deixou claro que não pretende abrir mão da legenda sem saber se o partido autorizará a operação.
Arruda ainda tentou ampliar o horizonte. Em vez de tratar apenas da eleição de 2026, sugeriu a Caputo que pensasse no futuro: dali a quatro anos, poderia ser ele o candidato ao Buriti.
O segundo movimento mirou Luiz França, do Podemos. A vaga de vice também entrou no radar. Só que, desta vez, o possível parceiro tratou de organizar a própria rota eleitoral e confirmou a candidatura a deputado federal.
A mensagem é difícil de ignorar: Arruda tem nomes para conversar, mas ainda não tem um nome disposto a conversar nas condições que ele oferece.
É aí que a ideia de uma chapa “puro-sangue” começa a ganhar espaço.
Nos bastidores, circula o nome do pastor Ronaldo Fonseca para a vice. A questão, agora, é saber se ele de fato pretende assumir o risco político de uma composição com Arruda — e, sobretudo, se a chapa terá condições jurídicas e eleitorais de chegar inteira à disputa.
É uma diferença importante. Na política, anunciar um vice é uma coisa. Ter um vice é outra.
Arruda conhece bem a diferença entre as duas etapas.
A convenção do PSD, neste sábado, pode ajudar a tirar parte da névoa. O que estiver no palco interessa menos do que os nomes que aparecerem ao redor dele e, principalmente, quem aceitar posar ao lado do ex-governador como parte de um projeto eleitoral.
Por enquanto, Arruda parece ter conseguido algo mais simples do que montar uma chapa: colocar a vaga de vice em circulação.
Falta convencer alguém a ocupá-la.
E, em 2026, talvez essa seja a primeira eleição em que a pergunta sobre quem será o vice de Arruda tenha uma segunda pergunta embutida: quem está disposto a dividir com ele o mesmo barco — e chegar até a margem?





