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sexta-feira, maio 22, 2026
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Câmara de SP aprova projeto que pode inviabilizar Parada LGBT nos moldes atuais e proibir presença de menores

Foto de Max Böhme na Unsplash

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, um projeto de lei que acirrou a guerra política e ideológica em torno das pautas de costumes no Brasil. A proposta, de autoria do vereador Rubinho Nunes, proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos LGBTQIA+ e também impede a ocupação e interdição de vias públicas para esse tipo de manifestação na capital paulista.

Na prática, críticos apontam que o texto pode inviabilizar a realização da tradicional Parada do Orgulho LGBT nos moldes atuais, realizada anualmente na Avenida Paulista e considerada uma das maiores do mundo.

O projeto ainda precisa passar por segunda votação antes de seguir para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes.

O texto estabelece que menores de 18 anos não poderão participar de “eventos públicos ou privados que façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, independentemente da autorização dos pais ou responsáveis. Além disso, determina que esses eventos ocorram apenas em locais fechados e com controle de acesso.

Outro ponto que provocou forte reação foi a proibição da utilização de vias públicas para a realização das festividades.

Na prática, a medida atinge diretamente desfiles, marchas e grandes concentrações realizadas em avenidas da cidade, ampliando o embate entre grupos conservadores e movimentos ligados à diversidade sexual.

Guerra política e narrativa explosiva nas redes

Foto de NIM na Unsplash

A votação rapidamente incendiou as redes sociais e abriu uma nova frente da polarização política nacional.

Parlamentares conservadores passaram a defender a proposta sob o argumento de “proteção da infância” e “limites à exposição precoce de menores”. Já movimentos LGBTQIA+, ativistas e partidos de esquerda classificaram o projeto como “discriminatório”, “censório” e “inconstitucional”.

A discussão ganhou contornos ainda mais explosivos porque envolve três temas de enorme mobilização digital:

  • infância;
  • liberdade individual;
  • ocupação de espaços públicos.

Nos bastidores políticos, vereadores alinhados à direita avaliam que pautas de costumes voltarão ao centro do debate eleitoral de 2026, especialmente após o crescimento de discursos conservadores nas redes sociais.

Já setores progressistas enxergam a proposta como uma tentativa de criminalizar simbolicamente manifestações LGBTQIA+ e reduzir sua presença no espaço urbano.

Projeto prevê multas de até R$ 1 milhão

O texto aprovado estabelece punições severas para organizadores de eventos que descumprirem as regras.

Entre as penalidades previstas estão:

  • suspensão imediata de apoio público;
  • devolução de recursos eventualmente utilizados;
  • proibição de uso de vias públicas;
  • impedimento de organizar eventos autorizados pelo município por até oito anos.

As multas variam conforme o porte do evento:

  • R$ 100 mil para pequeno porte;
  • R$ 500 mil para médio porte;
  • até R$ 1 milhão para grandes eventos.

Debate pode parar na Justiça

Juristas e especialistas em Direito Constitucional já apontam possibilidade de judicialização caso a proposta avance definitivamente.

Os principais questionamentos envolvem:

  • liberdade de reunião;
  • liberdade de expressão;
  • igualdade de direitos;
  • eventual violação de garantias constitucionais.

Nos meios políticos, cresce a avaliação de que o caso pode acabar no Supremo Tribunal Federal caso o projeto seja transformado em lei.

Dos 55 vereadores da capital paulista, apenas 10 votaram contra a proposta na primeira análise em plenário. A matéria agora segue para nova votação em meio à intensa repercussão política e social.