O anúncio do senador Izalci Rocha (PL) de que pretende disputar o Governo do Distrito Federal em 2026 evidenciou um movimento político sem respaldo interno no próprio partido
Divulgada nas redes sociais, a pré-candidatura não foi precedida de apoio e articulação formal dentro do PL, nem de deliberação partidária — condição básica para viabilizar projetos majoritários competitivos.
A reação veio de forma imediata. Em nota pública, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que preside o PL Mulher e é apontada como uma das principais lideranças da legenda no DF, afirmou ter causado “estranheza” o anúncio unilateral. Segundo ela, não houve construção interna que sustentasse a iniciativa.

A deputada federal Bia Kicis, presidente do diretório regional do partido, reforçou o diagnóstico: não houve reunião ou qualquer alinhamento institucional que valide a pré-candidatura.
O episódio escancara uma divergência relevante dentro do PL no Distrito Federal. Isso porque o partido já havia sinalizado apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP), inserindo-se, até então, em uma estratégia de continuidade administrativa e composição política até 2030.
Mesmo reconhecendo a ausência de diálogo prévio, Izalci sustenta que uma candidatura própria seria “natural”, apoiando-se em nenhum desempenho, nem pesquisas e em um cenário político favorável à direita com Celina à frente de todas as pesquisa. No entanto, especialistas em dinâmica partidária apontam que candidaturas majoritárias sem base orgânica interna tendem a enfrentar dificuldades estruturais — desde tempo de televisão até formação de alianças.
Além disso, a falta de endosso de lideranças centrais do partido enfraquece o potencial competitivo da iniciativa no curto prazo, especialmente diante de um cenário já parcialmente consolidado.
Na prática, uma improvável candidatura Izalci não passa de um blefe político que sempre praticou para se manter no poder às custas de pífias barganhas.



