Eleições 2026: Arruda enfrenta dificuldade para conquistar eleitor jovem enquanto Celina Leão amplia espaço entre novas gerações

A disputa pelo Governo do Distrito Federal em 2026 também evidencia um choque de gerações. Enquanto a governadora Celina Leão [PP], de 49 anos, consolida sua imagem junto ao eleitorado mais jovem e conectado às redes sociais, o ex-governador José Roberto Arruda, de 72 anos, enfrenta o desafio de dialogar com uma geração que não acompanhou seu período de maior protagonismo político.
Arruda nasceu em 5 de janeiro de 1954 e construiu uma das carreiras mais conhecidas e conturbada da política brasiliense. Sua trajetória também é marcada por episódios que tiveram ampla repercussão pública, incluindo investigações, condenações judiciais e o escândalo que culminou na Operação Caixa de Pandora, fatos que continuam associados à sua imagem no debate político.
Para o especialistas e professor em comportamento eleitoral, Magal Rocha, a memória política do eleitor varia conforme a idade. Grande parte dos jovens que votarão pela primeira vez em 2026 sequer era nascida ou ainda era criança durante a crise política que marcou o governo Arruda entre 2009 e 2010. Ainda assim, essa parcela do eleitorado costuma consumir informações por meio das redes sociais, onde narrativas sobre o histórico dos candidatos circulam rapidamente.
Do outro lado, Celina Leão nasceu em 2 de março de 1977 e completa 49 anos em 2026. Pertencente a uma geração política mais recente, a atual governadora busca ampliar sua presença digital e aproximar sua gestão de pautas que dialogam com os eleitores mais jovens, como empreendedorismo, inovação, mobilidade urbana e oportunidades de emprego.
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Os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram, entretanto, que o peso eleitoral dos jovens diminuiu nesta eleição. O país terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em outubro, crescimento de 1,46% em relação a 2022. Já a faixa de até 18 anos caiu de 4.177.627 para 3.571.159 eleitores, uma redução de 606.468 pessoas, equivalente a 14,52%. Hoje, esse grupo representa apenas 2,25% do eleitorado nacional.
Apesar da redução proporcional dos eleitores de 16 a 18 anos, a cientista política, Raquel Rocha, da UnB, observa que esse segmento costuma exercer influência maior do que seu tamanho numérico, principalmente por sua intensa participação nas redes sociais, onde temas relacionados à renovação política, transparência, oportunidades de mercado de trabalho e integridade pública frequentemente ganham repercussão.
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Nesse contexto, a disputa no Distrito Federal tende a ir além da comparação entre propostas administrativas. O confronto também envolve diferentes percepções geracionais sobre liderança política. Enquanto Arruda aposta no reconhecimento de seu legado entre parcelas do eleitorado que acompanharam seus governos, Celina Leão amplia o espaço entre eleitores que valorizam a renovação de perfis e a comunicação digital.
Com um eleitorado brasileiro cada vez mais envelhecido — o grupo com 60 anos ou mais passou de 21,02% para 23,60% do total entre 2022 e 2026 —, todos viram e assistiram o caos em Brasília, na gestão Arruda e Paulo Octávio.




