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sexta-feira, outubro 30, 2026
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‘Brasil não quebra com Lula, mas fica condenado a um crescimento medíocre’

Luiz Inácio Lula da Silva: - 1º mandato: 1º/01/2003 a 1º/01/2007 - 2º mandato: 1º/01/2007 a 1º/01/2011 - 3º mandato: 1º/01/2023. - 4º mandato: 1º/01/2027 a 2030 – final.
Luiz Inácio Lula da Silva: - 1º mandato: 1º/01/2003 a 1º/01/2007 - 2º mandato: 1º/01/2007 a 1º/01/2011 - 3º mandato: 1º/01/2023. - 4º mandato: 1º/01/2027 a 2030 – final.

“O Brasil não quebra. O país tem hoje as contas externas em ordem, uma inflação sob controle, o Banco Central independente, uma produção de petróleo importante, uma agricultura pujante, energia abundante, uma produção de metais robusta. O presidente Lula tem aberto muitos mercados”, diz Fábio Coletti Barbosa.

“Mas o Brasil fica condenado a um crescimento medíocre, em função de juros elevados, de uma necessidade muito grande de financiamento.”

O administrador Fábio Coletti Barbosa, 72 anos, tem passado os últimos dias ouvindo Marisa Monte e Maria Bethânia.

Ele também vem assistindo à comédia Seinfeld, série americana dos anos 90 que traz personagens egoístas, céticos, mesquinhos, que nunca aprendem uma lição de moral ao final dos episódios.

“Estou tentando digerir os últimos acontecimentos”, brinca o presidente do conselho da multinacional brasileira Natura, a respeito do atual momento político.

Como executivo que fez carreira no setor financeiro, ocupando a presidência do Santander Brasil e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Barbosa é pragmático.

“Ok, o resultado é esse. E o que nós podemos fazer para ajudar a construir o país que sonhamos? Quem são os interlocutores que vamos buscar para conversar sobre as melhores políticas a serem adotadas para que o Brasil possa ser aquilo que a gente deseja? [A eleição] é página virada”, diz ele, que também é membro do conselho de outras grandes empresas, como Ambev e Votorantim.

Sem declarar o voto, mas identificando-se com o espectro político do centro — nas eleições de 2022 apoiou Simone Tebet (PSB-SP) —, Barbosa afirma que a equipe de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia sinalizado um corte de gastos para corrigir o desequilíbrio fiscal, que leva a uma alta taxa de juros, “ruim para a população em geral”.

“Já o presidente Lula só agora, depois de eleito, falou de responsabilidade fiscal por meio do José Guimarães [ministro das Relações Institucionais, que declarou que a responsabilidade fiscal e o compromisso social caminham como prioridade no governo].”

Barbosa é crítico da política de aumento de gastos públicos para fomentar a economia. “Se fosse verdade que gastos públicos maiores são bons para mitigar a pobreza, não haveria pobres no Haiti, no Congo e na Índia”, diz ele, chamando a atenção para a necessidade de aumentar a produção e não apenas distribuir renda.

“O que acontece se todo mundo tiver dinheiro para a picanha, mas a produção da picanha não aumentar? O preço vai subir. E, para controlar a inflação, o Banco Central eleva a taxa de juros. Tanto a taxa de juros mais alta, que encarece o crédito, quanto a inflação mais alta são ruins para as pessoas de menor poder aquisitivo”, diz.

O ex-banqueiro se diz a favor das políticas sociais do governo, mas vê a necessidade de um “pente-fino” para identificar quem recebe os benefícios indevidamente. “A esquerda não tem o monopólio do bem-estar social do país. As pessoas que argumentam por um equilíbrio fiscal também buscam o bem-estar social”, diz.

Na opinião do executivo, o ano de 2027 será muito difícil do ponto de vista econômico, porque o atual modelo defendido pelo governo Lula já não se sustenta. Mas não vê um cenário catastrófico.

Veja a entrevista completa clicando >> aqui