Nos bastidores de Partido Liberal, a disputa por protagonismo já não é mais velada — e expõe uma crise de mando que preocupa lideranças às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.
De um lado, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, mantém o controle formal da máquina partidária e articula alianças com foco pragmático. Do outro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro avança como liderança política com forte apelo junto à base conservadora, tensionando decisões estratégicas da legenda.
O estopim mais recente ocorreu ainda em dezembro de 2025, quando Michelle criticou publicamente a aproximação de quadros do PL com Ciro Gomes no Ceará. Classificada por ela como “precipitada” e “incompatível” com os valores da direita, a articulação expôs fissuras internas e gerou desconforto inclusive entre aliados próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo relatos de interlocutores, a manifestação foi recebida com reservas por integrantes do próprio núcleo familiar de Bolsonaro, que defendem uma estratégia mais pragmática para ampliar palanques regionais em 2026. A avaliação é que movimentos unilaterais podem comprometer negociações em estados-chave.
Cresce a percepção de que Michelle tem atuado de forma “dissonante” da direção formal. Deputados próximos a Costa Neto afirmam que o dirigente já cogita acionar Jair Bolsonaro como fiador político para conter o avanço da ex-primeira-dama e reequilibrar o eixo de decisões dentro da legenda.
O pano de fundo da crise revela mais do que divergências pontuais: trata-se de uma disputa silenciosa sobre quem, de fato, dará a palavra final no PL — se o comando institucional ou a força política emergente ligada ao bolsonarismo.



