Nos corredores do Palácio do Buriti, a palavra de ordem é rearranjo. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, deve promover uma ampla movimentação na estrutura do Governo do Distrito Federal (GDF), com impacto direto no primeiro e no segundo escalões da administração.

De acordo com fontes próximas à chefe do Executivo, a reconfiguração pode alcançar a marca de até mil trocas e adequações em cargos estratégicos. A medida, embora ainda tratada com discrição, já mobiliza diferentes grupos políticos e técnicos dentro da máquina pública.

Apesar da dimensão da reforma, há sinalizações de que os administradores regionais devem ser mantidos. A estabilidade nesse nível é vista como uma forma de preservar a governabilidade nas cidades e evitar ruídos junto às bases locais.

Por outro lado, a nova diretriz impõe freios claros à influência política tradicional: secretários com pretensões eleitorais e ex-integrantes do governo não terão carta branca para indicar nomes para os chamados “número dois” das pastas — cargos historicamente estratégicos na engrenagem administrativa.

Outro movimento relevante nos bastidores é o fortalecimento do Partido Liberal (PL) dentro da estrutura do governo. A legenda deve ganhar posições de destaque na nova configuração administrativa, ampliando seu espaço em áreas estratégicas e reforçando sua influência na base de sustentação do Executivo local.

A leitura, entre interlocutores do governo, é de que Celina Leão busca consolidar uma gestão mais técnica, sem abrir mão da recomposição política necessária para garantir governabilidade, especialmente em um cenário que já começa a ser impactado pelo ano eleitoral.