Opinião
Brasília, capital do Brasil, transformou-se no epicentro da política nacional — e, não raras vezes, no palco onde se firmam acordos pouco republicanos, costurados longe da vontade popular e à margem da ética pública. É para lá que políticos de todas as regiões convergem, não para servir ao interesse coletivo, mas para negociar poder, cargos e sobrevivência política
Em sua maioria, esses personagens são herdeiros de dinastias que ha décadas dominam o cenário político, famílias cujos sobrenomes atravessam legislaturas e, com frequência alarmante, também as páginas policiais. Apropriam-se do Estado como se fosse patrimônio privado, utilizando a máquina pública para alavancar fortunas pessoais e garantir perpetuação no poder.
Mas o problema central não está apenas neles. Está, sobretudo, na fonte de onde todo poder emana: o povo.
É o eleitor quem insiste em conceder segundas, terceiras e até quartas chances a políticos já conhecidos por práticas corruptas, normalizando o inaceitável e banalizando o desvio de conduta. Ao fazê-lo, transforma exceção em regra e corrupção em parte do jogo político.
Enquanto a sociedade continuar tratando a política como um ciclo de indulgência permanente, os políticos não terão motivo algum para se regenerar. Afinal, quem nunca é punido pelo voto, jamais aprende pelo erro.




