Na sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), realizada nesta terça-feira (8), a senadora Leila Barros (PDT-DF), conhecida como Leila do Vôlei, saiu em defesa do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, presidente nacional de seu partido.
Lupi é apontado por parlamentares como omisso diante de um esquema de corrupção que teria causado prejuízo bilionário a aposentados e pensionistas. Apesar das acusações, a senadora adotou tom elogioso ao ex-ministro e classificou a CPMI como um “circo”.
“Ministro, o senhor está assistindo a um show aqui. Mas isso é porque as pessoas que estão aqui, com esse comportamento agressivo, elas estão incomodadas, de fato, com a sua clareza, com a sua tranquilidade”, afirmou Leila, durante a sessão transmitida ao vivo pela TV Senado.
A declaração gerou desconforto entre os membros da comissão. Parlamentares viram na fala uma tentativa de blindar o ex-ministro, em meio a cobranças por explicações sobre o funcionamento do esquema e a atuação do Ministério da Previdência à época dos fatos.
Leila não comentou as falhas apontadas na gestão do INSS nem a ausência de medidas efetivas por parte da pasta para conter o avanço de organizações criminosas que teriam se infiltrado no sistema previdenciário.
O episódio teve repercussão entre aposentados que acompanham os trabalhos da CPMI. Representantes de entidades que atuam na defesa do segmento criticaram o tom adotado por parlamentares que, segundo eles, demonstram mais preocupação com alianças partidárias do que com a responsabilização de eventuais envolvidos.
A senadora, que deverá disputar a reeleição em 2026, foi alvo de críticas nas redes sociais. Adversários políticos afirmam que sua postura compromete a credibilidade do colegiado e reforça a percepção de que a CPMI pode ser usada como instrumento de proteção a aliados, em vez de apurar irregularidades.
Carlos Lupi deixou o Ministério da Previdência em fevereiro deste ano, após forte pressão em razão das denúncias. O esquema investigado envolve a atuação de organizações criminosas especializadas em fraudes contra aposentados, com uso indevido de empréstimos consignados e acesso irregular a dados de beneficiários.





