Quanto vale uma vida? Goiás a nova Manaus da Covid-19

Por: Ivan Rodrigues

O Estados do Goiás está enfrentando situação semelhante a capital Manaus.

Já são 11 hospitais com sua capacidade em 100%  de ocupação de leitos intensivos. E uma vaga nos leitos da rede privada pode demorar até dias para um paciente em espera.

Segundo a Dra Christiane Kobal, (pres. da sociedade Goiana de Infectologia) hoje você pode dispor de todo o dinheiro do mundo, do melhor plano de saúde, que mesmo assim não terá um leito de UTI, pois há neste momento uma fila de espera”.

A Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) divulgou carta alertando que as unidades de saúde associadas estão com UTIs para pacientes com Covid-19 lotadas. Na rede pública, essa ocupação é de 92% neste sábado (20).

A população está cansada do isolamento social e assim tem descumprindo as normas de distanciamento e uso da máscara, além é claro do enorme número de festas clandestinas que vem acontecendo neste Estado.

Há uma grande preocupação principalmente com as cidades do entorno do DF que inclusive já tem a nova cepa inglesa (de maior transmissibilidade) circulando. É preciso lembrar que estas cidades não possuem estrutura necessária para o atendimento dos pacientes graves com a Covid-19. Vale mencionar os vários anos de promessas de investimentos em saúde que nunca aconteceram. Toda esta somativa ajuda a sobrecarregar a estrutura de saúde de Brasília.

Os prefeitos do entorno têm uma reunião marcada para esta semana com o secretário de saúde do Distrito Federal para definir algumas ações relacionadas a um possível lockdown e medidas referentes ao transporte público já que grande parte desta população trabalha no DF.

Carta da Ahapceg

Desde o início da pandemia de Covid-19, os associados da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) vêm atuando, sem medir esforços, para garantir o atendimento à população, tanto na assistência nos hospitais e demais instituições associadas quanto no apoio ao setor público com a doação e a oferta de equipamentos.

Toda a sociedade pôde acompanhar o trabalho da Ahpaceg nesta assistência aos goianos, inclusive por meio da divulgação diária, ao longo de sete meses, de nossa taxa de ocupação de leitos. Divulgação que continua sendo feita com o envio de informações às Secretarias de Saúde.

Nas últimas semanas, com a intensificação da chamada segunda onda da pandemia, temos enfrentado um cenário assustador e queremos compartilhar com a população e com os gestores públicos as dificuldades que nos rondam, pois entendemos e sempre defendemos que o combate à pandemia depende de esforços de todos.

Informamos que nesta sexta-feira, 19 de fevereiro, não há disponibilidade de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais associados da Ahpaceg. Esses leitos encontram-se ocupados ou bloqueados para pacientes graves já em atendimento nos hospitais, por isso, não podem ser abertos para novas internações.

Esse problema vem se repetindo nas últimas semanas e hoje chegamos ao limite. Antes, assim como na primeira onda, ainda conseguíamos transferir pacientes entre os hospitais associados, garantindo as internações necessárias. Mas, agora, o momento é crítico e não há vagas.

O aumento da oferta de vagas neste atual cenário é inviável.

Hoje, além da demanda dos pacientes com Covid-19, que aumentou significativamente nas últimas semanas, ainda recebemos outros pacientes, com outras enfermidades e que necessitam de assistência, o que não aconteceu em 2020, quando muitas pessoas deixaram de procurar os hospitais temendo a contaminação pelo coronavírus, negligenciando doenças e mesmo suspendendo tratamentos que dependiam deste atendimento hospitalar.

Os hospitais também encontram-se descapitalizados e sem condições financeiras para novos investimentos. Essa situação decorre de problemas, como o aumento dos custos assistenciais em 2020, quando nossos gastos com medicamentos, pessoal e Equipamentos de Proteção Individual, por exemplo, aumentaram expressivamente e não tivemos apoio dos Governos ou contrapartida das operadoras de planos de saúde.

Estamos lotados e com nossa saúde financeira comprometida.

A sugerida suspensão de cirurgias eletivas com o intuito de abrir novas vagas para internação vai apenas agravar a situação da rede hospitalar e deixar pacientes sem atendimento, o que pode comprometer a saúde dessas pessoas.

A simples abertura de novos leitos não é a saída.

Precisamos de esforços conjuntos.

A população e as autoridades precisam adotar medidas sérias para evitar a proliferação da doença.

A taxa de contaminação está aumentando em uma proporção superior à capacidade de atendimento.

A rede privada, representada pela Ahpaceg, chegou ao limite. Estamos fazendo tudo o que podemos, mas precisamos do apoio da sociedade, dos gestores, dos planos de saúde, do Ministério Público, enfim, de todos que querem o fim desta pandemia.

Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg)

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