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terça-feira, outubro 6, 2026
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O voto no 22 que levou Celina Leão 11 ao 2º turno

Celina Leão em discurso para moradores do Riacho Fundo, com presença de lideranças políticas locais.

Cerca de 26 mil eleitores digitaram o número do PL na urna e anularam o voto para governador. Como o partido apoiava Celina Leão, esses votos teriam feito diferença na disputa — e até levado a eleição a um desfecho no primeiro turno.

A eleição para o Governo do Distrito Federal pode ter sido decidida, em parte, por uma confusão diante da urna. Cerca de 26 mil eleitores digitaram 22 para governador — mas o número não correspondia a nenhum candidato ao GDF no primeiro turno. O resultado: votos anulados.

O 22 é o número do PL, partido que apoiava Celina Leão na disputa, mas que não lançou candidato próprio ao governo. Para um eleitor identificado com a legenda, a escolha pelo número 22 poderia parecer natural. Na urna, porém, o voto não foi convertido em apoio a nenhum candidato.

E é justamente aí que está o peso político desses votos.

26 mil votos que ficaram pelo caminho

No primeiro turno, 1.817.921 eleitores compareceram às urnas no Distrito Federal. Foram registrados 1.651.394 votos válidos, além de 89.910 votos em branco e 74.774 votos nulos.

Dentro dos votos anulados, aproximadamente 26 mil eleitores apertaram 22.

Esses votos não foram contabilizados para Celina Leão — nem para qualquer outro candidato.

Se parte significativa desses eleitores pretendia votar na candidata apoiada pelo PL, o erro de numeração pode ter sido determinante para impedir que a disputa fosse encerrada no primeiro turno.

Quem vota 22 não votaria 13

O episódio ganha ainda mais relevância diante da polarização da eleição.

Um eleitor que escolheu conscientemente o 22 não necessariamente estaria disposto a votar em uma candidatura adversária, como a de número 13. A escolha pelo número do PL indica, no mínimo, uma preferência pela legenda — embora não seja possível afirmar, individualmente, qual candidato ao governo cada eleitor pretendia escolher.

Essa distinção é importante: os 26 mil votos não podem ser automaticamente tratados como 26 mil votos de Celina Leão.

Mas também não podem ser ignorados na análise do resultado.

São milhares de eleitores que foram às urnas, escolheram um número político específico e, por uma questão de estratégia eleitoral ou confusão com a numeração, terminaram sem produzir um voto válido para o governo.

A eleição poderia ter acabado no primeiro turno?

Essa é a pergunta que os números levantam.

Com 1.651.394 votos válidos, a maioria absoluta necessária para uma vitória no primeiro turno é superior à metade desse total. Portanto, cada bloco de milhares de votos ganha importância em uma disputa apertada.

Os cerca de 26 mil votos no 22 representam uma quantidade expressiva dentro do universo de votos anulados.

Se esses eleitores tivessem ou têm uma preferência majoritária por Celina Leão e pudessem ter convertido seus votos em votos válidos para a candidata, o cenário eleitoral poderia ter sido diferente.

É possível afirmar que isso teria garantido matematicamente a vitória no primeiro turno.

O detalhe que a urna revelou

A situação expõe uma particularidade da estratégia eleitoral do PL: o partido tinha um número forte e reconhecido pelo eleitorado, mas não tinha candidato próprio ao GDF no primeiro turno.

Para quem vota seguindo a identificação partidária, o 22 continuava sendo a referência.

O problema é que, na eleição majoritária para governador, o número da legenda não substitui o número de uma candidatura que não está registrada na disputa.

O eleitor que digitou 22 acabou, portanto, transformando uma intenção política em votar no 11 em voto nulo.

Os números do primeiro turno

Resultado Número
Eleitorado apto 2.243.988
Comparecimento 1.817.921
Abstenções 426.067
Votos válidos 1.651.394
Votos brancos 89.910 — 4,95%
Votos nulos 74.774 — 4,11%
Anulados sub judice 1.843
Votos no número 22 cerca de 26 mil

O 22 que não virou voto

No fim das contas, cerca de 26 mil eleitores escolheram o número do partido que apoiava Celina, mas não conseguiram transformar essa escolha em voto para a candidata.

A consequência pode ter sido decisiva: uma eleição que poderia ter sido resolvida no primeiro turno acabou seguindo para a segunda etapa.

O 22 não elegeu ninguém no primeiro turno, até porque não tem candidato ao governo no DF; e está apoiando Celina.